Como referência à dança do samba de salão praticada anteriormente aos anos de 1980, o professor Jimmy de Oliveira nos conta: Se fôssemos voltar dos anos 80 para trás, era uma coisa mais junto, eles saiam pela intuição. Não existia uma mecânica correta, tem que fazer direita atrás e cruza direita à frente, não! Eles saíam pelo que eles sentiam na música e pela mulher que ele estava sentindo, pela parceira dele. E aí que, a dama de antigamente era mais versátil, ela tinha que se virar na piração do cara!
Jimmy de Oliveira quando questionado a respeito de que alguns passos do tango argentino estão presentes da dança do samba de salão apresentado na atualidade, prossegue: “talvez, nas minhas criações, o tango tenha me influenciado, até mesmo inconscientemente, embora eu nunca tenha feito aulas de tango, fiz algumas incorporações e adaptações como, por exemplo, do passo de tango denominado de sanduíche”.
Jimmy de Oliveira ainda nos relatou que as inovações e transformações que ele fez na dança do samba de salão carioca são decorrentes das influências do Hip Hop. Jimmy de Oliveira nos conta: Eu queria fazer um trabalho, que tivesse a minha identidade, o meu nome. Depois de um ano, estudando com um cara da antiga chamado Valtinho, que me dizia: Você tem tudo na dança! A partir do momento que você colar na dama, você vai descobrir uma outra visão da dança. Ele me deu esta dica.
(…) A minha dança foi toda em cima do que dançava, Street dance, dança de rua, eu dançava Mickael Jackson. Foi isso que me modificou, que me fez mudar essa visão, o hip hop. (…) Aí, eu me vejo: um cara que deu uma dimensão para o samba, sabendo que, tinha pessoas importantes, né! É uma hierarquia, né! Eu prá chegar aonde eu cheguei, tinha que ter algum caminho, né!
(…) Quando você chega na zona sul, o cara nunca foi no subúrbio para ver realmente como se dança, um samba arrojado e a malandragem… Finge que cai mais não cai! As coisas têm que ser mais voltadas para o chão, com movimentos mais miúdos. Eu digo sempre assim: a gente tem que pentear o chão. Foi aí que eu resolvi dar uma pitada em algumas coisas e, foi aonde eu comecei a entrar em conflito com o mundo da dança. Tinha gente que falava que era presepada, que eu queria aparecer, ou isto ou aquilo… Então eu criei o Romário, o assalto, a embreagem, a boneca, o pescar, outra variação da cadeirinha, a escovinha, o matrix e… Com o tempo fui colocando as coisas e fui vendo, todas as academias, ensinando na sua linguagem, mas ensinando os meus passos. E, aquilo que diziam que era presepada, que não era samba… Hoje, praticamente em qualquer lugar do Brasil, qualquer profissional que ensine [os passos da minha criação], embora, não ensine no tempo que eu ensino, ele ensina como ele vê, a dança.
Como descrito no depoimento do professor e dançarino Jimmy de Oliveira: O samba tem aquela coisa corporal e não aquela coisa meio européia. (…) Dançar com o corpo parado é muito mais fácil. É muito mais difícil você, mecanizar braço, perna, tronco, cabeça e braço ao mesmo tempo. O samba é malemolente, tipo peixe, você quer pegar e não consegue. O samba é toda uma linguagem corporal. (…) O brasileiro, já tem essa coisa corporal. (…) A nossa qualidade de dança, está no corporal. (…) Eu tento o seguinte: o máximo de trabalho [do corpo] corporal. É assim que eu vejo a cara do samba. É assim que eu vejo o Brasil. (…) Nós profissionais somos formadores de opinião, depende de, como a gente vai passar isso para as pessoas.”

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