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Como emagrecer dançando II

por Kenio Nogueira

Olá! :-)

No último post lançamos alguns comentário a respeito da dança e o processo de emagrecimento, realizado de forma consciente. A dança, esperamos ter deixado claro, entraria como uma poderosa ferramenta na conquista e/ou manutenção da massa de gordura corporal mais adequada ao indivíduo, sempre buscando um estado de saúde e bem-estar e nunca, jamais um modelo pré-determinado pela mídia ou pela sociedade apenas para satisfação de alguma estética fora das proporções naturais.

Neste post, pretendemos aprofundar nossos conceitos e mostrar que todo o processo baseia-se numa metodologia estável. A nossa busca é por um processo equilibrado e, como falamos nas três palavras que nos guiarão no processo de emagrecimento, podemos relacioná-las com a figura que melhor representa a estabilidade mínima na geometria, o triângulo.

Falamos em:

  • consciência
  • equilíbrio
  • regularidade

Esses três pontos são fundamentais para se obter sucesso no programa e em todo processo na vida, pensamos nós. Tudo que se relaciona com as transformações  e evoluções de modo geral, pode ser entendido e aplicado conforme as figuras a seguir. Isso torna a compreensão dos fatores envolvidos mais clara e, consquentemente, mais fácil em nossas mentes. Sem falar que no mundo de hoje precisamos de muita facilidade e simplicidade. Estas duas características são obtidas através da naturalidade.

A partir do triângulo podemos extrair um quarto ponto. Este ponto será o guia – ou o motor – que impulsionará todo o nosso processo de redução de massa. Repare no que podemos fazer, desde que conscientes do processo todo. Primeiramente temos o triângulo com as qualidades necessárias para avançar no processo:

tirangulo

Nota-se primeiramente que a VONTADE é o impulso. Ela é o motor dessa engrenagem. Ela é que é capaz de fazer tudo funcionar. Sem vontade ninguém cresce, ninguém adquire nada na vida. É preciso tê-la até mesmo para ultrapassar as dificuldades inerentes a cada processo. E o processo de controle e/ou redução de massa é um desses, que exigem muita, mas muita vontade. Isto porque é um processo de percepção de resultados muito pequena num curto espaço de tempo. É um processo onde geralmente você espera que em uma semana já esteja como aquela ou aquele ícone que você sonhou, p. ex. aquela(e) artista de cinema.

Mas, vontade só não basta. É necessário ter Consciência. Apesar da consciência somente aparecer com o tempo, durante a prática, é sempre fundamental para nossa mente que tenhamos nossos conceitos claros e definidos antes de começarmos o programa.

  • Por que eu quero reduzir minha massa gorda?
  • Para que eu preciso ou quero reduzir?
  • Estou ciente de como eu irei reduzir?
  • Quanto tempo por dia eu direcionarei as minhas práticas para a redução da minha massa gorda?
  • Tenho vontade suficiente?
  • Precisarei de ajuda ou posso fazer sozinha(o)?
  • Etc.

Então, todas as perguntas que fazemos a nós mesmos, antes de dormir p. ex., são portas para nossa consciência. Permitem, se respondidas com absoluta sinceridade, que todos nós tenhamos possibilidades de alcançarmos nosso Ser mais íntimo, que é nossa Consciência. Sem ela, como um caminho de ação, não passamos de pessoas sendo jogadas e levadas de um lado para outro na vida, sem missão e sem objetivos claros a serem cumpridos. Todos precisamos de objetivos, desde grandes a pequenos. Uma vida sem objetivos nos leva ao desânimos e é um abismo fácil para cairmos nas futilidades.

E claro, não poderia deixar de falar em Equilíbrio e Regularidade. Propositadamente coloquei os dois lado a lado, partilhando da mesma aresta na base do triângulo. Apesar de que, em se tratando de um triângulo equilátero, isto aconteceria mesmo em qualquer posição. Mas esses dois são, exclusivamente importantes. Equilíbrio sim, porque tudo na vida necessita dele. Estamos muito mal acostumados a realizar nosso dia-a-dia desequilibradamente. Falta-nos a devida consciência, frequentemente. Neste processo, o equilíbrio vem trazer um reforço; não é nada menos que a manifestação da própria consciência para o alcance dos resultados. O equilíbrio só é possível com a devida regularidade da atividade, que permite a manutenção dele próprio. Um vez por semana é pouco, talvez. Duas será bom? Três vezes, suficiente? Quatro ou cinco, até mais é necessário? Não sabemos.

Cada indivíduo tem sua regularidade e seu equilíbrio próprios. Isto sim, a ser descoberto durante a prática através de testes específicos, questionários e a própria dança. Para tanto, a própria escolha do gênero musical a ser dançado é fator que influencia no equilíbrio. Este equilíbrio será acima de tudo trabalhado para manter o indivíduo numa frequência de movimentos forte o suficiente para alcançar os resultados desejados porém, leve o suficiente para não cansar demasiadamente a ponto do mesmo desistir ou sentir desmotivação, comprometendo a sua vontade e, consequentemente, a regularidade dos exercícios de dança.

A dança é para ser uma atividade prazerosa e é esta qualidade intrínseca à mesma que sempre devemos ter em mente quando da prática dos exercícios específicos.

O Setenário do emagrecimento

Desta forma sabemos que temos três pontos acima do triângulo:

  1. objetivo
  2. planejamento
  3. realização

Mas o que acontece então quando ampliamos agora nosso processo de controle de massa de gordura para uma esfera mais a médio / longo prazo. Lembram quando falamos que os resultados vem com o tempo. Nem sempre em um mês teremos os” resultados que esperávamos. Pode até ser que nos surpreendam, mas também pode ser que nos decepcionem.

De fato, a regularidade na dança vai dizer isso. Se durante um determinado tempo aplicamos uma certa regularidade, após a primeira visualização dos resultados podemos aplicá-la de forma diferente, ser for o necessário. E isto quem vai dizer é o seguinte diagrama:

triangulo_quaternario

Sete passos, sete etapas para a aquisição de algo na vida. Mais científico do que isto não poderia ser, pois desta forma está em perfeita harmonia com a evolução das coisas. Tudo no universo evolui em sete etapas, basta constatar na sua própria vida. Se desejamos ter um novo corpo, devemos agir com todas elas.

De certa forma o triângulo superior indica também o porquê das coisas não funcionarem, muitas vezes. Simplesmente porque não agimos com objetivos claros e definidos em nossa mente. Tampouco planejamos – minimamente sequer – para alcançarmos estes objetivos; e mais desgastante ainda, despendemos energia à toa em nossas realizações. Claro, se não há objetivos e nem planejamentos não haverá resultados nas realizações. Podemos dizer que nem mesmo haverá realização de algo. A realização é um caminho. Ela se confunde com o quadrado interior. Ela é o próprio quadrado, por isso ligamos a base do triângulo ao quadrado. Está vendo como uma coisa está sempre dependendo da outra. É uma dependência não-linear. Não é uma coisa e depois a outra. Trata-se de uma interrelação de simultaneidade, ou seja, as coisas só acontecem porque todos esses fatores devem trabalhar juntos. Por isso que alguns tem sucesso nas realizações e outros não. Quando conscientemente agimos assim, vemos o resultado das nossas ações. O tempo será necessário pra trabalhar, é importante ter esta visão.

Por enquanto estamos dando as bases teóricas do programa. Onde ele se baseia, conceitos fundamentais para você estudar e aplicar no desenvolvimento do seu programa. Ir se acostumando com ele. Todo ele terá esse embasamento e muito mais, além da prática, claro.

ATENÇÃO

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Um grande abraço e até o próximo post. Lembre sempre de deixar seu comentário! :-)

sobre o autor

* Kenio Nogueira é proprietário de Asgar Centro de Dança, professor de Dança de Salão, pós-graduando em “Teoria e Movimento da Dança com Ênfase em Danças de Salão” pela FAMEC e formado em Engenharia Química pela UFPR.


Como emagrecer dançando

por Kenio Nogueira

Olá a todos! :-)

Neste ano que se inicia, gostaríamos de dizer que muita coisa diferente pode acontecer aqui. Primeiro porque é nossa vontade, de todos que compõem a equipe Asgar. E ela está crescendo… Sofremos algumas “perdas”, sabemos, mas as pessoas que se vão, esperamos que assim aconteça para uma melhora na vida delas, uma evolução. Estamos sempre com a proximidade em nosso coração, podem ter certeza disso.

Bem, vamos ao tema deste post.

É muito comum virem a nós, pessoas com os mais variados  motivos para fazer aulas de dança de salão. Por exemplo: “porque não gosto de academia, nem de ficar fazendo musculação ou step”, “porque odeio malhação”, “porque preciso emagrecer e não consigo fazer esteira”, “porque estou muito só e preciso fazer amigos, descontrair”, “porque estou muito estressado(a)”, “porque quero aprender a dançar”, “porque quero encontrar um(a) namorado(a)”, “porque queremos melhorar nossa relação”, enfim, muitos e muitos são eles.

Entretanto, o que mais nos chama a atenção é realmente a preocupação com a saúde e a beleza do corpo senão, antes de tudo isso, o bem-estar geral físico e psíquico. Sim, porque a dança não só pode auxiliar neste processo de aquisição e manutenção desse bem-estar físico, como também ir além dele e trabalhar o melhoramento da condição psíquica do indivíduo. A partir do momento que sabemos comprovadamente que o ser humano é uma espécie sociável e, portanto, necessita da vida em conjunto e no meio social. Somos levados à conclusão de que, uma vez que a dança de salão contribui para isso, permite uma maior sociabilização do indivíduo e desta forma ameniza ou até mesmo cura seus males psíquicos.

Pensando nisso estamos neste momento desenvolvendo um programa especial para você, que gostaria de emagrecer ou controlar sua massa de gordura. A partir de agora vamos falar em massa; porque, fisicamente falando, a palavra peso é a resultante da ação da força da gravidade atuando sobre a massa de cada indivíduo. Então, se você estiver na Lua, p. ex., sua massa seria exatamente a mesma que é aqui na Terra; já o seu peso… este com certeza seria muito menor, já que lá temos a força de gravidade muito menor que na Terra. Apenas uma questão física, mas que faz toda uma diferença quando pensamos na questão.

Sim, vamos primeiramente aprender a pensar de forma correta.

Porque o peso é a consequência, enquanto a massa é apenas causa


Suponhamos que você foi na balança hoje, ao acordar (é o melhor momento para você enfrentar esta realidade), e constatou que o número que estava marcando lá era 85kg. Certo, não se desespere! Ainda tem o dia todo pela frente e você vai tomar seu café, almoçar, tomar bastante água (em dias quentes isso deve acontecer ainda com mais frequência), se estressar com horários, com filhos, compromissos, vai comer um docinho, etc. Bem, a questão é que depois de tudo isso fatalmente você estará “pesando” mais. Talvez uns 87kg (?), não sei, ou menos. Mas é quase certo que será mais que 85kg, e olha que já é muito, dependendo do seu caso. Claro, isto é apenas um exemplo bem humorado do que vamos falar agora.

Vamos falar da idéia na sua mente. Aí entra o fator psicológico. A idéia de que você tem muito ou pouco “peso” já é, por si só, uma dificuldade do seu programa. Agora, a fluidez da prática em pensar que sua massa é menor ou maior e deve ser acrescida ou diminuída, torna o processo mais agradável e fácil de se entender. Ora, o que é fácil de entender gera maior compreensão. Tudo aquilo que compreendemos somos capazes de transformar. É a questão da consciência implícita no processo. Isso serve para qualquer coisa na vida; me refiro à Consciência.

Se somos conscientes de que nosso peso é o resultado da ação das seguintes forças (segunda Lei de Newton):

Fp = m g

onde:

  • Fp = força peso (ou simplesmente peso)
  • m = massa (é o valor que aparece na balança)
  • g = força de aceleração da gravidade (na Terra é aproximadamente 9,82 m.s-2)

Isso nos faz ver que nosso peso, na verdade, é uma relação entre nossa massa e a força de aceleração da gravidade. Força esta que nos puxa para baixo, em direção ao centro da Terra, pois se assim não o fosse estaríamos todos flutuando agora, como se fosse na Lua. Quando estamos na praia ou na piscina, dentro d’água, essa força muda e notadamente ficamos “mais leves”. Mas isso não diminui sua massa, certo?! Você continua lá com seus 85kg, (infelizmente!).

Então, alterando nosso pensamento, podemos ver que o peso é uma função que depende da massa, portanto ela é consequência da massa. E, se ela é consequência e, a aceleração da gravidade é uma constante (pois não muda aqui na Terra), então a conclusão é que a massa é a causa.

Tudo isso vocês já podem saber de outra forma. Então porque estamos aqui “perdendo tempo” em falar sobre o que é sabido. Já vamos chegar lá, aliás já estamos chegando, porque na verdade queremos é dar consciência, por enquanto.

Sendo então a massa uma causa, e sabendo que podemos mexer na causa, nos resta a pergunta: o que é massa?

Massa é ENERGIA!


Sim, todos também já sabemos que massa é energia. Tão velho quanto Alberto Einstein, que genialmente relacionou as duas.

E = mc²

onde:

  • E = energia
  • m =  massa
  • c = velocidade da luz (≈ 300.000km/seg)

E onde entra nossa dança aqui, em tudo isso? Entra na questão energia. Só que agora mais consciente.

Dança e o gasto de Energia

Ora, vamos ver… se gastamos energia para dançar, então gastamos energia, certo?! Esta energia deve sim é ser gasta de forma consciente, equilibrada e regular. Ou seja, podemos dançar, dançar, e dançar; mas fazemos isso apenas uma vez por semana. Logicamente isso não apresenta resultado satisfatório para um gasto energético constante, porque falta justamente a regularidade. Falta também um equilíbrio na regularidade, porque apesar de haver uma certa continuidade (uma vez por semana), esta não é suficiente para alterar o metabolismo do organismo.

Apesar de aparentemente ainda não haver estudos técnico-científicos a respeito da dança de salão e o gasto energético nos indivíduos, estamos aqui com esta proposta em desenvolvimento. Temos relatos e matérias jornalísticas que nos indicam – sem precisão científica ainda – os gastos médios calóricos de cada que cada gênero musical geraria num indivíduo ao executar a respectiva dança. Os campeões de gastos calóricos são salsa, lindy hop, forró e  samba de gafieira (de andamentos rápidos), mas sem comprovações adequadas.

Também deve existir uma zona, que não seja de conforto cardiovascular, para que haja a predominância da queima de energia (medida em kcal) da massa gorda, ou gordura, sob pena de haver queima de energia sim, mas a partir de proteínas e carboidratos, o que não interessa para o praticante, visto que comprometeria sua adequada nutrição. Explicando melhor; se massa é energia, tudo que é massa contém energia e é formado de energia. Então, proteínas tem energia, carboidratos tem energia, músculos tem energia, a gordura tem energia e até a água tem energia. Logo, o que vai dizer ao nosso corpo se devemos utilizar a energia do músculo, da proteína ou da gordura?

A resposta é simples e essencial: o coração!

Se a energia for compreendida como vibração do universo temos um órgão que é vibração pura em nosso corpo. Este órgão que bate incessantemente desde que nascemos para este mundo, que dispara quando dançamos ou que quase pára quando dormimos, é responsável por regular muitas funções em nós. Seu compasso binário (sístole-diástole, Tum-tum) é responsável por fazer nosso corpo entrar em ação ou inação. Daí, vem o conceito de frequência cardíaca.

Em média setenta batimentos por minuto (70 bpm) é o que um ser humano normal de aproximadamente 70kg apresenta como frequência cardíaca. Claro que isto é uma média e tem outros fatores envolvidos para esta determinação, é muito individual. É o nosso “andamento musical” individual em estado de repouso. Mas, se esta frequência aumenta para 120 bpm, p. ex., já entramos numa zona de treinamento. Dependendo da idade da pessoa será uma zona de conforto de queima de energia proveniente da massa gorda ou gordura, mas quer irá requerer maior tempo da atividade para realizar esta queima e com uma regularidade diária maior.

Existem cálculos, tabelas, experiências já realizadas com outras atividades físicas de maior impacto que a dança. A dança não é considerada uma atividade atividade física por mais que 60% das pessoas. Ela está na categoria do entretenimento. E também o é, só que dependendo da forma como é aplicada pode vir a ser atividade física, inclusive aeróbica, muito indicada para queima de gordura. Claro que subentende-se a esta prática um acompanhamento médico e/ou de um profissional qualificado. Eu diria até mesmo profissionais, porque uma equipe multidisciplinar seria mais que necessária para obtenção de resultados satisfatórios por parte do praticante. Aqui poderiam se envolver: educadores físicos, nutricionistas, médicos e claro, o professor de dança de salão, com a devida orientação técnica para manter o aluno dentro da regularidade e das especificações recomendadas pelos demais profissionais, além de conhecer e sugerir o(s) gênero(s) mais adequados à conquista e manutenção de determinada frequência cardíaca.

Nos próximos posts vamos dar ênfase ao programa. Vamos mostrar mais detalhes de como se dará o processo todo e colocaremos você à par de quando iniciaremos ele. Por enquanto, gostaríamos que você indicasse seu interesse neste assunto e se gostaria de participar do programa quando ele for lançado, oficialmente.

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Um grande abraço a todos e até o próximo post! Ah, lembre de deixar seu comentário. :-)

sobre o autor

* Kenio Nogueira é proprietário de Asgar Centro de Dança, professor de Dança de Salão, pós-graduando em “Teoria e Movimento da Dança com Ênfase em Danças de Salão” pela FAMEC e formado em Engenharia Química pela UFPR.

O “compadrito” – O pária, as prostitutas e a cópula

by Kenio
Publicado em: 13/01/2010
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por Ariel Palacios

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O compadrito e seu punhal multiuso para as horas de tédio

Dos hombres llegan / son dos rivales / en el duelo criollo / resolverán / que el brazo diga / quién tiene más derecho / a disfrutar los besos / de la mujer fatal”.

O poema, de Martinelli Mazza, ilustra o “compadrito”: um homem disposto a matar outro homem pelo amor de uma mulher. E muitas vezes, apenas pelo prazer de matar, de ver o sangue correr, de ter uma épica pessoal para contar na hora de beber o aguardente no bar com amigos e desconhecidos.

Como no caso do “majo” espanhol, morrer, para o “compadrito”, não era um drama. Os estudiosos indicam que, para saciar o acentuado gosto pela morte, tanto fazia ser a causa do óbito ou seu objeto.

“Compadrito” é um diminutivo pejorativo de “compadre”, palavra usada na Espanha e na Argentina para designar um tipo de homem semi-urbano. Na Argentina do século XIX, as pessoas eram designadas em duas modalidades: o homem urbano e o “gaucho” (o homem do campo livre ou peão que trabalhava nas planícies do Pampa).

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O “compadrito” não era nenhum dos dois. Vivia de biscates na periferia das cidades, sem ousar entrar nas mesmas, nem pensar voltar ao campo. Trabalhava ocasionalmente como vaqueiro levando o gado ao porto ou carneando as reses.

Nas horas livres – que eram muitas – o compadrito dedicava-se ao jogo, tocar o violão, além de cuspir entre os dentes com inigualável destreza. Na hora da conversa, “compadreava”. Ou seja, fanfarronava. O costume de lavar a honra com profusão de sangue alheia teve no compadrito o último representante desse modus operandi de resolver problemas em solo argentino.

O compadrito seria a temática principal dos tangos das primeiras décadas, com letras que relatavam os duelos e seu comportamento briguento e passional. Mas antes de ser assunto de letras de tangos o compadrito mudou a forma de tocar e dançar esse gênero.

Tanto o compadrito como o descendente de escravos eram párias da sociedade. Os afro-portenhos tinham seu lugar de divertimento, os “tambos”. Os compadritos, nada. Portanto, começaram a frequentar o lugar de batuque dos afro-argentinos da cidade.

Dali, levaram o ritmo dos tambores a seu bairro, o “Corrales Viejos”, onde estavam os currais do gado. Hoje, ali está o bairro de “Parque de los Patrícios”, ou simplesmente, “Parque Patrícios”.

corrales
Os “corrales viejos”

Em seus lugares de festa, os compadritos acrescentaram o violão ao batuque. Os tambores foram eliminados rapidamente. Mas a herança negra ficou através dos trejeitos e do compasso na hora de dançar.

Antes de entrar em contato com os afro-portenhos, o compadrito dançava a milonga, a polca, a mazurca e a quadrilha. Depois, continuou dançando os mesmos gêneros. Mas a forma de dançar mudou. O compadrito as havia “africanizado”.

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Compadrito deu seu toque pessoal ao protótipo do tango

Para um dos maiores “tangólogos” da Argentina, José Gobello, o tango não seria uma nova dança (em sua origem), mas uma nova forma de dançar aquilo que já se dançava na época.

A nova forma era gozadora, irreverente, descontraída. Mas, ao contrários dos afro-portenhos, o compadrito dançava colado à sua parceira. O animado jeito africano cedeu terreno à uma elegância hispana.

O principal lugar de dança dos compadritos eram as “academias”, cafés misto de bordéis. Além destes lugares onde consumia-se mulheres e bebidas, estavam os “peringundines”, lugares exclusivos para a prática do sexo pago. Tanto nas academias como nos peringundines dançava-se o tango, dança excessivamente lasciva para os padrões da época. Mulheres “decentes” não o dançariam. As únicas que aceitavam fazê-lo eram as prostitutas.

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Prostitutas no cabaret Armenoville

O tango, dançado por elas – afirmava o escritor espanhol Rafael Salillas em 1898 – “é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico…sua representação é um simulacro erótico”. Depois de explicar detalhadamente os movimentos do ventre e o “jogo de quadril”, faz um esclarecimento: “dança-se entre casais, mas sem cópula”.

O tom sexual da dança era tão acentuado que tornava-se praticamente impossível encontrar mulheres disponíveis para o tango. Mas, a vontade de dançar do compadrito era frequentemente impossível de deter. Por este motivo, sem grau algum de misoginia, para matar a vontade, dançava com um colega homem, em via pública, diante de todos.

Alguns analistas do tango consideram que isso indicaria uma raiz “gay” nesse gênero de dança. No entanto, a maioria sustenta que dançar com outro homem é coisa costumeira em diversas danças em todo o mundo.

Os compadritos, no entanto, não deram o formato final do tango. Para chegar lá, o tango passou antes pelas mãos dos imigrantes italianos, que ao chegar em massa na década de 1880, acrescentaram a flauta, o bandolim e o realejo, como instrumentos. Além disso, muitas prostitutas italianas – que vinham fazer a América – “amaciaram” a forma excessivamente lasciva de dançar o tango.

A italianização do tango começou nos cabarés da avenida Corrientes, na esquina da calle Uruguai. Mas estes “antros” tiveram vida curta, e por causa das pressões da polícia precisaram emigrar para áreas mais afastadas do centro. Nos novos estabelecimentos, o tango recebeu uma nova guinada, com a chegada dos “cajetillas”.

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