fonte: Diário do Nordeste, 1º de abril 2010
por Karine Zaranza
Repórter
E aí galera!!!
Achamos esta matéria dando sopa por aí… e trouxemos para cá, sempre com os devidos créditos.
Aqui vai:
Na Argentina, os jovens ocupam grande parte do salão de baile das milongas. No Ceará, um grupo pequeno, mas crescente, vem se dedicando ao tango e mostrando que o ritmo pode ser uma paixão em todas as idades

Rivalidades à parte, até o brasileiro mais ufanista há de concordar que o tango é uma das mais belas danças do mundo. E os nossos hermanos argentinos se orgulham e muito de seu maior ícone. Até aí nenhuma novidade!
Notícia é que existe um pedacinho de Buenos Aires em Fortaleza. O número de apaixonados pelo tango cresce e aparece nos salões de dança da cidade. E o detalhe é que Carlos Gardel, Astor Piazzola, Gotan Project e companhia estão sim no Ipod da garotada.

A estudante Mariana Diaz, 20 anos, cultivava há alguns anos a vontade de dançar tango, mas sempre acreditou que não encontraria uma academia de dança que ensinasse o ritmo em Fortaleza. Há quatro anos, quando assistiu o filme “Vem dançar” (aquele que traz a cena de arrancar o fôlego em que Antônio Bandeira dança um tango eletrônico com Katya Virshilas, decidiu passar do sonho para realidade.
“Via os filmes e achava incrível. Então, comecei a fazer aulas, mas foi dificílimo encontrar um lugar onde pudesse aprender a dançar. No começo, achei que não saia do canto, mas depois tudo aconteceu”, relembra a universitária que – após a dança – passou a mergulhar em outros aspectos da cultura argentina.

De um contato superficial, Mariana passou a ouvir mais músicas argentinas e a se interessar pela história do tango. A paixão fulminante a fez até viajar, no ano passado, para Buenos Aires. “Nunca pensei em ir para lá. Mas, depois da dança, passei a ter vontade. Lá fiz curso, comprei uns 30 CDs, principalmente de tango eletrônico, e comprei vários pares de sapatos maravilhosos. Fiz um rombo no cartão”, confessa. A estudante já planeja a segunda viagem para este ano.
Além de fazer aulas, ela também vai a bailes de dança de salão na cidade. O que Mariana lamenta é de o tango ainda tenha pouco espaço em nossa cultura. “Até nos bailes toca pouco tango. Outro problema é que ainda são poucos os homens que dançam. A maioria sabe mais forró e samba”, reclama.

Além do salão a falta de companhia para dançar não é problema para a dentista Karina Medeiros. Ela e o marido, o também dentista Adriano Rêgo, começaram a dar as primeiras caminhadas do tango juntos. Os dois já faziam aula de dança de salão há 8 anos, mas a cerca de dois anos é que resolveram apostar na batida do ritmo argentino.
“Estávamos cansados de sempre dançar bolero, forró e samba de gafieira. Um dia o Adriano sugeriu que fizéssemos aula de tango. Tenho que confessar que aceitei sem muita vontade. Depois do primeiro dia decidi aumentar o número de aulas por semana”, explica Karina, hoje, apaixonada pelo tango.
O que mais encantou o casal foi a sonoridade das músicas eternizadas por grandes nomes da música mundial. “O clima da dança, a música, os passos precisos e elaborados, o som forte… É uma mistura de tanta coisa”, descreve ela. “O tango era bem distante pra nós. Hoje é o que gostamos mais de dançar”, completa Adriano.
A aproximação foi acontecendo aos poucos. Antes, o ritmo que só era visto em programas de TV e em filmes agora é presente no dia a dia do casal. “Escuto sempre. É meu favorito para ouvir”, ressalta ela. Outro fator foi a inserção em um grupo muito coeso de alunos e professores de dança.
“Ajudou muito estar com outras pessoas que são apaixonadas também. Fomos, inclusive, no ano passado para a Argentina com eles e vi o quanto isso era forte pra mim. Quando entrei na Confeitaria Ideal e assisti ao show de tango, meus olhos se encheram de lágrimas. Me tocou muito”, relembra com emoção Karina que, assim como Mariana, enlouqueceu com os belos sapatos argentinos de dança.
Adriano aponta a prática como hobby e como atividade física. “Melhorei muito minha postura e meu condicionamento físico”, garante. Ele, que faz aulas duas vezes por semana, afirma que sempre dança com a esposa no salão de festas do apartamento e que lamenta haver poucos espaços para milongas em Fortaleza. “Antes tínhamos bailes de tango toda semana, mas fecharam. Acho que falta mesmo é as pessoas conhecerem melhor o ritmo para quererem também aprender”.
À primeira vista é o que também garante a psicóloga Carla Valéria Nogueira, 26 anos. Foi só assistir a um espetáculo de Tango da Cia. El Paso, há cerca de dois anos e meio, para que ela decidisse entrar nesse compasso também. E daí foi amor à primeira vista.
“Vi um cartaz pequenininho na parede sobre o show. Aí fui ver. Fiquei encantada com tudo. Antes eu via a dança na TV e achava muito charmosa, mas a proximidade me fez perceber que eu poderia também dançá-la”, conta.
Desde então, Carla passou a frequentar bailes e aulas. E, apesar de não se considerar uma profunda conhecedora do tango, não dispensa seu CD com os melhores canções argentinas no carro e já influenciou várias amigas a dançar.
A psicóloga confessa que realizou um sonho de criança: aprender a dança. Ela nunca fez balé e pôde começar a realizar-se na dança só após se formar. “É uma coisa nova na minha vida, mas hoje meu namorado, que é musico, escuta tango comigo e já levei minhas amigas aos bailes. O tango não é uma cultura forte no Brasil, nem no Ceará, mas se as pessoas pudessem ter a chance de conhecer, iriam gostar”, engrossa o coro.
Das tanguerias chilenas para cá em 2008, a psicóloga Sônia Paranaguá trocou sua casa no Chile para voltar ao Brasil e escolheu o Ceará para viver. Queria vida nova, mas na bagagem trouxe seus CDs, sapatos e toda a sua vontade de continuar a dançar tango aqui.
Acostumada a ter aulas com grandes professores e a frequentar, assiduamente, as tanguerias (milongas chilenas), Sônia sofreu para encontrar um local e parceiros para continuar mantendo sua paixão. “No Chile, tínhamos um grupo que sempre ia às milongas. Sempre ia à Argentina e tive a oportunidade de ir a um show de Piazzola, em 1987. Isso me marcou muito”, conta.
Vaidosa, a psicóloga diz que se sente muito à vontade no salão e com o espírito sensual que o ritmo passa. Sempre com belos sapatos, meias e brilhos, ela encarna como poucas uma mulher tangueira.
“A primeira vez que fui a uma apresentação de tango, no Chile. Eu me vesti inteiramente como uma dançarina. Fiquei fascinada”, confessa.
Hoje, ela faz aulas de tango e participa de um grupo, onde ensaia sempre. É uma rotina sua ver vídeos de dança e, sempre que pode, vai aos bailes de tango. “Duas vezes por ano volto ao Chile e marco com meu grupo para ir às tanguerias. Minha esperança é que tenhamos aqui também as milongas”.