Artigo de Fabíola Amaral Honori, Pedro Henrique Berbert de Carvalho. Dança de Salão, AVC e Imagem corporal.
compilado por Kenio Nogueira
Desde o início de sua evolução o homem se comunica, se expressa, se satisfaz, se encanta, se educa, etc, através do movimento e da dança. Antes mesmo de falar ele já dançava. Dentre os vários tipos de dança, a dança de salão é uma atividade, cuja complexidade, pode se adaptar às habilidades individuais, é acessível a qualquer sexo e faixa etária, podendo proporcionar situações de experiência máxima.
As principais características da dança de salão podem ser assim resumidas:
- É uma atividade onde se dança aos pares estabelecendo algum contato entre si, desde a posição fechada até a posição aberta. Na posição fechada o cavalheiro envolve a dama colocando sua mão direita nas costas dela e suporta a mão direita da dama em sua mão esquerda, fazendo com que o casal se coloque frente a frente com pouco ou sem espaço livre entre eles. Na posição aberta o distanciamento do casal é maior e o ponto de contato é uma das mãos do cavalheiro segurando uma das mãos da dama. Independente da posição do casal – fechada, aberta, ou intermediaria – um dança para o outro e com o outro.
- Na dança de salão são utilizadas estruturas de passos variados que desenham o espaço. O casal aborda o espaço de forma variada, harmoniosa, construindo desenhos que dinamizam a visualização da dança.
- Os passos nada mais são que variações do andar associados a giros. O andar rítmico, a postura correta, o ato de carregar o peso do corpo com leveza e os desenhos descritos no espaço, fazem desse andar um descolamento suave e elegante, estético e garboso, altivo e invejável.
- Na dança de salão fala-se em harmonia entre parceiros e entre o movimento e música. A harmonia do casal se no espaço, equilíbrio e expressão. A harmonia entre o movimento e a música se expressa na velocidade comum aos passos e às notas musicais, entre os acentos do movimento e da música, por exemplo, nos “retardando” da música acompanhados de uma movimentação mais contida que desacelera ou nos “pianos” e “fortíssimos” da música representados por peso (leve ou forte) na qualidade do movimento.
- O deslocamento característico da dança de salão se dá no sentido anti-horário no salão. Desta forma, todos os casais têm a possibilidade de se deslocar sem se chocar com outros e sem interromper a trajetória de outros.
- A dança de salão é uma atividade típica de reuniões sociais.
- Ela pode ser dançada com ou sem técnica e com intuito de entretenimento ou de competição.
O ensino da dança de salão abrange um conteúdo técnico e um conteúdo referente à etiqueta social. No conteúdo técnico são abordados temas como postura, condução, percepção rítmica e execução de passos. As etiquetas sociais enfatizadas dizem respeito à atitude individual, de abordagem a uma outra pessoa, e à atitude grupal.
Honori (2007) assegura que o profissional de Dança de Salão trabalha diretamente com o corpo dos praticantes, interferindo na concepção e na representação que estes têm do próprio corpo. Ressalta-se que a Dança de Salão ensina aos praticantes controlar a ansiedade, conduzir ou, no caso da dama, sentir a condução e também reconhecer o toque do parceiro, as sensações corporais, o contato.
A Dança de Salão melhora a autoestima, a sociabilização, as relações pessoais, o conhecimento do próprio corpo, a agilidade, a percepção espacial, o lazer, a concentração, a parte motora, o equilíbrio, a parte psicológica e física. Intensifica o respeito entre seres humanos e o contato com o outro (o toque), diminui o estresse, aproxima os casais, afasta a solidão, a depressão, atenua a timidez e o condicionamento físico. (Reid, 2003)
Fica assim demonstrado, que a dança possibilita o trabalho corporal, que manterá relações com as três dimensões da imagem corporal: fisiológica, social e libidinal. Vemos aí, portanto, a importante relação do movimento humano, da consciência corporal e do autoconhecimento na melhoria dos componentes relacionados com a imagem corporal do indivíduo. Neste caso podemos perceber forte influência da dança na melhoria da autoestima, motivação, relação com os outros indivíduos, da memória e do controle motor.
Schilder (1999) assegura que a construção da imagem corporal se dá fortemente através da relação com o outro, o que constitui a presença e influência do aspecto social sobre a formação da identidade corporal. Segundo Lovo (2006, p. 105) “profissionais que trabalham com o corpo do outro, e que muitas vezes utilizam durante essa intervenção o seu próprio corpo, em uma interação, apresentam quase sempre o conhecimento intuitivo e vivência das questões que envolvem a relação da imagem corporal com as deficiências sensoriais e motoras. No entanto, muitas vezes as referências teóricas poderiam contribuir de maneira significativa para clarear estas questões e possivelmente abrir novas perspectivas de “olhar” para as relações humanas e suas interações”.
REFERÊNCIAS
Honori, F. Dança de Salão: instrumento para a qualidade de vida através do conhecimento da autoimagem e da autoestima. Trabalho de conclusão de curso, Faculdade Metodista Granbery, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. 2007.
Lovo, T. M. A. (2006). Anosognosia: imagem corporal na hemiplegia. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo, Brasil.
Schilder, P. (1999). A imagem do corpo: as energias construtivas da psique. (3a ed.). São Paulo: Martins Fontes.
Reid, B. (2003). Fundamentos de Dança de Salão. Londrina: Midiograf.

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