Resultados da pesquisa Categoria: Samba de gafieira

Bolero ou Cha Cha Cha?

by Kenio Nogueira
Publicado em: 08/08/2010
Comentários: 1 Comentário
por Kenio Nogueira

Olá todos (principalmente profissionais de dança de salão)! :o

Às vezes somos movidos por impulso para tomar nossas ações. É normal que isso nos coloque em posição de equívocos mais facilmente do que quando paramos para analisar os fatos e os objetos de nosso trabalho.

A música é, definitivamente, um objeto de trabalho nosso. Aliás, a música talvez seja nosso motivo de trabalho porque sem ela poderíamos até mesmo dizer que não existiria a dança de salão. As danças de salão surgiram da necessidade do povo expressar-se por estímulos musicais, ou melhor, naqueles estímulos musicais do cancionero popular, enquanto se divertiam e através da linguagem corporal propagavam sua cultura. E mesmo antes disso, antes de músicas populares, onde as músicas eram mais eruditas, com objetivo de agradar às cortes européias, aos reis e rainhas, aos faraós…  enfim; nossa maior aliada na dança de salão é a música.

Mas então como a maior aliada pode transformar-se na maior inimiga? A resposta é uma só: falta de conhecimento, falta de estudo ou decisões por impulso dos “profissionais”, visando agradar ao público e/ou ao dançarino/bailarino mas sem o devido cuidado para tanto. A dança de salão permite ousadias hoje em dia, principalmente quando a vemos sobre os palcos. Algo extremamente novo para uma modalidade de dança também recém-nascida. As danças de salão são, por definição e origem prática de cada uma delas, dificílimas de serem compreendidas como algo estático e imutável. Ao contrário, elas mudam constantemente, talvez de década para década. Mais lentamente nas últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX, para se transformarem quase completamente nos fins do século XX e início do século XXI. É assim que temos como exemplo clássico no Brasil uma modificação do maxixe para o samba de gafieira. Fins do século XIX / início séc. XX dançava-se o maxixe às escondidas, porque era uma dança proibida, libidinosa, com contato muito íntimo das partes genitais entre homens e mulheres. Mas era uma dança de casal e portanto uma dança de salão porque se dançavam nos salões (apesar de às escondidas). Os anos passam-se e outras formas musicais vão aparecendo, a cultura do povo e o entendimento vai se alterando, os preconceitos vão-se caindo por terra e o contato íntimo entre homem e mulher vai ficando mais normal na metade do século XX. É mais normal dançar nos salões às claras com maior proximidade e aqueles movimentos “libidinosos” já não tinham razão de ser ou não mais chocavam com tanta atenção a sociedade. A música vai crescendo, absorvendo impactos do mundo, sendo influenciada principalmente pela alta do swing norte-americano (um verdadeiro movimento mundial na época da das décadas de 20, 30 e 40) e surge o samba de gafieira, que era o samba dançado nas gafieiras, ao som de um samba musicado com influências do jazz (enquanto swing), sob acordes de instrumentos metálicos (saxofone, trompete…). Então vimos que do maxixe fomos ao samba de gafieira, que persiste até hoje.

Toda esta introdução foi para apresentar a possibilidade de modificações, mas dentro de uma naturalidade associada às transformações sociais. E assim aconteceu com a salsa, que veio do son (cubano), o bolero, o cha cha cha (muito tocado nas mesmas décadas anteriores citadas), e vários outros gêneros musicais que deram origem à dança associada a cada um deles.

E o que me motivou a escrever este artigo é um certo engôdo, cometido até mesmo inconscientemente, para com a sociedade, da parte de alguns profissionais de dança. Estes deveriam instruir-se com mais cautela e cuidados. Cito aqui um exemplo clássico, onde eu mesmo já presenciei várias vezes casais dançando, até mesmo nos salões de dança, bolero sob uma música que é – genuinamente – um cha cha cha. Admitimos aqui certos enganos quando a música não é bem definida, claro. Mas o exemplo que vou dar é clássico em se tratando de “erro”, porque eu já presenciei várias e várias vezes casais dançando a música Sway (que é um cha cha cha) com passos de bolero.

A música em questão tem uma “ginga” característica do cha cha. É um gênero que mais tarde derivou para a salsa, com influência da própria salsa cubana sendo dançada no mundo, depois que se popularizou ao sair de Cuba. Apesar de ter uma construção musical parecida (quaternária ou 4 x 4) como o  próprio bolero. O cha cha “evoluiu” para a salsa, mas continuou a existir, não estando extinto portanto. Hoje, o guitarrista Santana é um dos grandes intérpretes desse gênero em algumas de suas músicas.

Abaixo segue um exemplo da música Sway, na íntegra, em uma versão mais recente:

Sway (2005). Intérprete: Pussycat Dolls

Esta música é, na verdade, uma versão inglesa da música “Quem Será?” (1953) um mambo de autoria do compositor mexicano Pablo Beltrán Ruiz. Por aí já se vê que uma música que originalmente é um mambo, poderia ser dançada mais apropriadamente como um cha cha cha, que vem a ser um subgênero do mambo, juntamente com a Pachanga. Podemos escutar a versão inglesa, na voz de Dean Martin (1954):

E o que causa mais confusão ainda, principalmente no leigo, é a interpretação corporal e “hollywoodiana”  (Hollywood tem por hábito exterminar completamente os conceitos puros em nome do lucro fácil, e vai aí a cultura dos povos junto) realizada pelas próprias Pussycat Dolls no vídeo abaixo. O vídeo é um clipe e bônus inserido no DVD do filme “Shall We Dance?“. Neste clipe as cantoras dançam até mesmo “passos” de tango. Veja só que bagunça a gente costuma ver nesses filmes, o que costuma causar a confusão em quem não entende do assunto. Eu sinto a inspiração e necessidade de explicar essas diferenças, em nome da dança e dos estudos que realizamos nela.

Que fique claro que não estamos a criticar o filme. Ficou bem feito e tem seu valor. Nada desmerece o trabalho de quem atuou nele. Só estamos colocando as coisas no seu lugar, só isso.

É importante saber: as dançarinas de tango até receberem influências das brasileiras que iam para Argentina aprender o tango (e isso já na década de 90) não sabiam o que era “cadeirinha”, coisas que no samba de gafieira bem nosso já se usava muito antes disso. A partir daí elas gostaram desse movimento para shows, inclusive elas começaram a quebrar as “cadeiras” de seu quadril no caminhar do tango, tentando copiar nosso “jeitinho” arredondado de se dançar. A dama, no samba, rebola mesmo, como na lambada também. Podemos dizer que, em uma década, ensinamos às argentinas a dançar tango com movimentos mais suaves e quebrados de quadril. Hoje, isso é uma característica incorporada ao tango.

Antes disso, nosso samba de gafieira incorporou vários elementos do tango, p. ex., as sacadas por aqui viraram tiradas de perna para nós.

Agora vejamos a ginga do cha cha cha, para quem não conhece.

Não é bem mais gostoso este embalo do que um simples bolero em cima daquela música?

A resposta fica para cada um!

Grande abraço e obrigado pela leitura até aqui… em breve traremos mais esclarecimentos.

.

Perca calorias dançando

by Kenio Nogueira
Publicado em: 12/04/2010
Comentários: Nenhum Comentário
fonte: Revista Zero, edição fev/2010
Por Juliana Bellegard

Olá Gente boa!!! Mais uma matéria interessante que encontramos… segue logo abaixo. :o

Confesse: você já teve, sim, aquela vontade de aprender a dançar, só para rodopiar por aí como em uma cena de filme.

Os reality shows e as competições entre celebridades colocaram a dança de salão na boca do povo novamente. E a notícia boa é que ela não é só uma diversão, mas pode, também, ser um ótimo recurso para te ajudar a perder aqueles quilinhos extra. Ao contrário do que muitas podem pensar, dançar queima calorias.

Os diversos ritmos, que vão desde o tradicional tango até o caliente zouk, possibilitam que você se exercite, trabalhando postura, bumbum, pernas, além de te ajudar a ficar com aquela postura impecável de bailarina, com tudo no lugar. Para quebrar a monotonia da musculação, você pode alternar a academia com as aulas de dança. Assim, seu pique para fazer as duas atividades vai continuar sempre lá em cima.

Já tem muita mulher aderindo a esta tendência, deixando para trás o preconceito de que dança de salão é coisa só para gente velha. A publicitária Juliana Rodriguez, 25 anos, fazia aulas de jazz e sapateado na adolescência, e agora optou pelos ritmos de salão, pois não queria abrir mão da dança. “Além de aprender novos ritmos, ainda tive o incentivo de fazer aula na companhia de mais dois casais de amigos”, conta ela. Diversão garantida!

O portal Dança de Salão (www.dancadesalao.com) reúne em um só lugar informações como endereço das academias, agenda de bailes, fotos, dicas de filmes e livros e muito mais

Perca calorias, ganhe auto-estima

Uma das grandes vantagens de praticar a dança de salão é que ela não possui contraindicações, podendo ser feita por pessoas de todas as idades. Claro, não se pode esquecer que, como em qualquer outro exercício, é preciso ter um acompanhamento médico, ficar atenta a problemas de coluna e articulação, e caprichar sempre no aquecimento e nos alongamentos antes e depois das aulas.

Dançando, seja em um ritmo moderado ou mais acelerado, você consegue fortalecer sua musculatura corporal de forma natural, melhorando seu condicionamento físico e cardiorrespiratório. Outra grande vantagem física é o desenvolvimento de sua percepção espacial, coordenação motora e um aumento gradual da flexibilidade. A dança de salão ajuda a evitar alguns problemas que podem surgir com a idade, como fadiga, doenças articulares e circulatórias.

Mas não pense que para por aí, não. Deixando de lado a parte física, a dança ainda é vista por muitos como uma forma de vencer a timidez e facilitar sua integração social. O professor e bailarino Carlinhos de Jesus resume tudo: “não tem remédio melhor para o físico e emocional, a dança é desestressante e uma excelente terapia”. Embora haja um certo constrangimento no início, comum a quem aprende algo novo, com algumas aulas você já vai perceber que fica mais solta e desinibida.

Durante a aula, você tem a oportunidade de conhecer pessoas novas, trocar experiências e se descontrair. A atenção nos passos e na coreografia faz com que você tire sua cabeça dos problemas do dia a dia e fique focada na música e no seu corpo. É um superantídoto para o estresse e o mau humor. Afinal, quem consegue ficar de cara fechada depois de uma hora bailando sem parar?

Maria Luísa Ribeiro tem 31 anos e já faz aula há um ano, por sugestão de uma amiga do escritório em que trabalha. “Fiquei com vergonha de chegar à aula sozinha, mas a turma e o professor foram bastante receptivos e gentis. Como todos estão aprendendo, você não tem medo de errar”, conta a advogada que, em pouco tempo, já arriscava tirar seus colegas para dançar. Para enxugar as gordurinhas, ela decidiu aliar a dança às caminhadas diárias.

Par ou Ímpar?

Você pode fazer como a estudante Júlia Migliacci e convidar o gato para aprender a dançar também. Ela estava decidida a fazer bonito no casamento de sua irmã, insistiu um pouco e conseguiu convencer seu namorado, José Eduardo, a se matricular com ela nas aulas. “Depois de pegar o jeitinho dos passos, foi muito gostoso. Eu senti que nós criamos uma intimidade diferente”, conta ela.

A dança de salão exige uma cumplicidade entre os parceiros, e faz com que vocês estejam em sintonia. É uma boa maneira de descontrair e se divertir a dois, além de apimentar a relação. Já pensou em se produzir, colocar aquele salto alto e dançar um samba de gafieira com ele, cheia de segundas intenções? A cumplicidade de vocês na pista pode facilmente passar para o quarto!

Se você não tem par, não precisa se inibir. As turmas são organizadas de modo que haja o mesmo número de homens e mulheres. É essencial a formação de um casal, pois as coreogra as exigem passos diferentes para cada sexo. “Temos a equipe para fazer a parte prática, que pode repor os pares que faltam”, explica a professora e dançarina Sheila Aquino.

As aulas normalmente têm duração de uma hora, na qual o professor passa alguns passos básicos para os alunos, aos pares, aprenderem. Conforme a turma começa a dominar estes primeiros movimentos, a coreografia começa a se intensificar. Os ritmos são variados para que todos consigam pegar o jeito dos diversos estilos. Quem prefere fazer aulas com um professor particular pode optar por escolher quais ritmos gosta mais.

Um detalhe importantíssimo é a escolha da roupa. Não é preciso usar aqueles figurinos que você vê em filmes, pois eles são apenas para apresentações e competições. O essencial é que a roupa seja confortável e leve, sem prender seus movimentos. Muita atenção aos sapatos: estes, sim, devem ser próprios para a dança de salão, pois a sola certa permite que a mulher realize todos os passos com mais facilidade. E, claro, salto. Não precisa ser enorme, para não causar nenhuma lesão, mas faz toda a diferença na elegância e na postura de quem dança.

O que é o quê?

Os ritmos mais comuns nas academias

Samba-Rock – Ritmo brasileiríssimo, surgiu na década de 1970. As músicas são conhecidas e a coreografia é intensa, com passos bem-marcados e giros velozes. Apesar da aparente dificuldade, você se acostuma com a batida facilmente e memoriza os passos rapidinho. Gasto calórico médio (por hora de aula): 600 kcal.

Salsa – Nascida em Cuba, a salsa sofreu influência de outros ritmos caribenhos e até africanos. É um dos ritmos mais puxados por ser uma dança agitada e bastante aeróbica, movimentando braços e pernas. Mesmo assim, o ritmo latino é fácil de aprender, com uma combinação de passos básicos. Gasto calórico médio (por hora de aula): 600 kcal.

Soltinho – Este estilo, também chamado de swing ou rock soltinho, é uma mistura de diversos ritmos. A coreografia normalmente é elaborada, requer movimentos rápidos de braço e pernas e exige um esforço moderado. A versatilidade é a característica principal do soltinho. Gasto calórico médio (por hora de aula): 550 kcal.

Zouk – Dança surgida nas ilhas caribenhas de colonização francesa, chegou ao Brasil como um ritmo semelhante à lambada. Os passos, um pouco mais lentos, acompanham a batida das músicas. Os movimentos sensuais exercitam as pernas e o abdome. Gasto calórico médio (por hora de aula): 550 kcal.

Samba de Gafieira – Uma ginga bem brasileira, com uma pitada de malandragem. Este é o samba de gafieira, ritmo que exige um pouco mais de flexibilidade dos dançarinos. As coreografias trabalham muito as pernas e o abdome, necessário na hora do rebolado caprichado. Gasto calórico médio (por hora de aula): 500 kcal.

Forró – Apesar de já ser um ritmo popular desde 1950, o estilo se popularizou na década de 90, quando o forró universitário caiu no gosto dos jovens. Além de gostoso e fácil de dançar, o forró também é mais livre, você pode até arriscar um improviso de vez em quando. Exige um esforço moderado e trabalha todo o corpo. Gasto calórico médio (por hora de aula): 500 kcal.

Tango – Estilo típico argentino, tem as coreografias um pouco mais elaboradas. Elegância, sensualidade, expressão corporal e postura impecável são essenciais no tango. Memorizar os passos exige atenção e coordenação motora. Gasto calórico médio (por hora de aula): 450 kcal.

Bolero – Ritmo mais lento, de raízes espanholas, também é um dos mais fáceis de aprender. A coreografia é marcada e cuidadosa, mostrando todo o romantismo das canções. Os passos repetidos ajudam a trabalhar as pernas, e o baixo impacto dos movimentos não força as articulações. Gasto calórico médio (por hora de aula): 450 kcal.

Entrevista com Carlinhos de Jesus em Joinville

by Kenio Nogueira
Publicado em: 09/04/2010
Comentários: Nenhum Comentário

Olá galera da dança de salão!!! :o

Carlinhos de Jesus esteve em Joinville para apresentação de seu espetáculo “Aquarelas”, juntamente com sua Cia. de Dança. Um dia antes, cedeu essa entrevista. Fizemos a gravação e postamos aqui para conhecimento de todos. O vídeo está em 6 partes devido às limitações do servidor.

Grande abraço e esperamos que seja de interesse geral! :)

Entrevista 1ª Parte

Entrevista 2ª Parte

Entrevista 3ª Parte

Entrevista 4ª Parte

Entrevista 5ª Parte

Entrevista 6ª Parte

page 2 of 4


Bem-vindo , hoje é sábado 19 de maio de 2012