Por Kenio Nogueira
em 24/09/2011 às 19:35
Ah! O baile de danças de salão…
Pois é… qual a diferença entre as músicas que tocam nos bailes de danças de salão e as que tocam nas aulas (nas escolas e academias)?
Por incrível que pareça, hoje em dia, está cada vez mais difícil de se encontrar esta diferença, infelizmente. Deveria existir! Pois quando as gafieiras começaram e depois no seu auge, tinham uma sonoridade peculiar. Sonoridade que, por si só, era um convite à dança.
Tive a oportunidade de estudar um pouco do histórico das danças de salão no Brasil, e atualmente estou envolvido numa pesquisa que resultará num outro trabalho, contendo o assunto. Em breve, quero eu, até o final deste ano ele estará no ar…
O centro da questão é o seguinte: nos dias atuais, com a proliferação das escolas oferecendo cursos de dança de salão e a escassez dos bailes de dança de salão (em comparação com a quantidade que aconteciam antes da década de 1970) nos locais apropriados (gafieiras e salões de baile) perdeu-se em qualidade musical.
Por favor, entendam como qualidade musical em relação à sonoridade das músicas e não à sua composição, interpretação, etc. Quando se fala em música para dançar, não é o mesmo que música para escutar. TEMOS QUE TER RESPEITO às diferenças musicais neste sentido. Diferenças essas que deveriam ser reconhecidas, primeiramente, por quem trabalha com isso; depois, a ser passada aos iniciantes. É de responsabilidade dos profissionais que trabalham com danças de salão fazer o aprendiz compreender esta diferença e, o mais importante, colocá-lo em contato o mais cedo possível para “gingar” o corpo.
Sim, a dança de salão, diferente do ballet clássico, do contemporâneo e outras modalidades, requer uma “coisinha” que dificilmente o professor e/ou a escola vai ensinar de forma técnica: o gingado. Razão esta de ouvir do próprio João Carlos Ramos a expressão: “Dança de academia é uma dança sem gingado“.
Sim, os professores ficam contentes, porque os aprendizes estão dançando. Os aprendizes estão contentes, porque aprenderam a dançar. E tudo fica ilusoriamente bem. Mas…
Eis que falta alguma coisa que ninguém sabe o que é. O nebuloso gingado. Não é rebolar. Não é mexer o corpo… é gingado. É como antigamente, na década de 20 ou 30, perguntavam, o que era swing(?) e a resposta era: é “swing”. Dando até origem ao termo depois, brasileiro: “fulando dança com suingue”.
Vou colocar aqui um exemplo, bem simples, para que saibam do que estou falando:
Música: Telecoteco (Murilo Caldas e Marino Pinto: 1942)
1. Interpretada pela Isaura Garcia (original), 1942
2. Interpretada pela Paula Morelenbaum, 2009
3. Interpretada pelo grupo Gafieira na Casa, 2010
Agora me diz você: qual foi a versão que lhe deu mais vontade de dançar, hein?!
Pronto, a que tem mais sonoridade é a que junta instrumentos de percussão, metais (trompete, corneta e saxofone, em alguns casos), cordas e voz, claro. E se for um samba sincopado… melhor ainda! A salsa tem isso. O verdadeiro samba de gafieira tem isso. O verdadeiro tango orquestrado, tem lá a sua sonoridade extraída dos instrumentos necessários (sem esquecer o bandoneon).
Então, aos DJ’s que estão iniciando carreira, procurem fazer bailes de dança de salão de verdade, com o resgate da sonoridade dos bailes de dança de salão. Mas sem perder o som da modernidade, claro.
Aos professores e escolas de dança, vamos contribuir com o crescimento deste evento social cada vez mais, ensinando da forma correta. Na escola, no ambiente de aprendizado, se tocam músicas didáticas, para o aluno ouvir a marcação correta e ir se harmonizando com as músicas. Mas também, não tenhamos “medo” de colocá-lo numa situação que lhe tire da “zona de conforto”, porque faz parte da evolução de sua dança.
Clica no link e faça o download da música Teleco Teco, na versão da banda Gafieira na Casa, gravada no estúdio (mas com a sonoridade de baile).
KENIO NOGUEIRA
Kenio Nogueira é professor de danças de salão, coreógrafo e produtor cultural. E… engenheiro químico, administrador, diretor, tesoureiro, escritor, blogueiro… aqui a gente faz tudo. Se alguém quiser ajudar, é só entrar em contato!

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