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Mais um pouco sobre West Coast Swing

by Kenio Nogueira
Publicado em: 01/04/2012
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:) Olá queridos companheiros de dança e leitura

Continuando nosso post anterior, sobre o WCS, vamos agora informar um pouco mais sobre a elasticidade da dança.

Plástica x elasticidade no WCS

No post anterior falamos sobre o “barato” que é quando a dama, no seu conhecimento e prática na dança, proporciona aquela “pegada” que damos o nome de “âncora”. Justamente, porque é nesta pegada que vamos ter a sensação de que estamos produzindo nela um movimento elástico, onde os braços de conexão de ambos os dançarinos vão sentir  - naturalmente –  uma tensão mais acentuada. E nesta tensão há a sensação, para quem assiste, de que há um movimento elástico em meio a tudo isso. E há.

Aliado a tudo aquilo, a constância em a dama ir de um lado para outro na sua linha de dança e, o equilíbrio entre velocidade e força que este movimento implica, ficamos com aquela sensação de “suspense” na dança, como se a todo momento fôssemos soltar ou cair. Não, não vamos… é apenas sensação. Claro, não conseguimos isso imediatamente. Isso leva um tempo para ser percebido e mais ainda para se tornar prático. Temos que ir além do simples puxar, como muitos iniciantes fazem. Sim, pois é mais fácil. É um ajuste de forças interno e não oferecido pelo puxar ou empurrar somente. Como eu falei no post anterior, é uma âncora; portanto, para baixo e para o horizonte, o que resulta numa conjunção da força no sentido de produzir o elástico.

Por isso que o piso, ou melhor, a qualidade do piso influi decisivamente para uma boa dança no WCS. Para todas as danças, na verdade, mas aqui influi bem mais. Sem falar nos sapatos… é um assunto à parte, mas que deve ser levado em consideração sim. E muito! Por isso que a dança fica sensual… porque obrigatoriamente produz-se também um deslizar contra o chão e não se pisa, mas só desliza.

Liberdade para as Damas

Uma característica muito particular do WCS é a liberdade com que as damas dançam. Já começa na concepção particular do abraço. Ele não existe em sim, permanecendo apenas uma conexão entre as duas mãos dos dançarinos. Talvez um meio termo entre uma dança de casal (permitindo o abraço) e uma dança individual. Esta característica do WCS dá à dama a possibilidade de deixar sua dança mais independente da dança do cavalheiro. Mas não vão pensar que, por causa disso, é uma dança sem regras e cada um faz o que quer. Muito pelo contrário. Devido à esta característica mais livre, as “regras” são maiores e mais rígidas. O respeito aos tempos de saída do cavalheiro, pela dama, são muito mais cobrados e exigidos na dança. Ou seja, ela não sai de sua âncora, enquanto o cavalheiro não oferecer o movimento para ela. Daí advém as síncopas que ela pode fazer, aproveitando este tempo do cavalheiro, ou melhor, o tempo que ele deu. E, nessas síncopas ele próprio cria, junto com ela, várias possibilidades.

Um bom exemplo é este: se uma dama está num baile, e ela é mais experiente, e vai dançar com um cavalheiro iniciante e este só sabe o “sugar push” (é o nome de um passo, bem básico) ela pode incrementar sozinha mais de 10 variações deste passo, sem necessitar que ele saiba mais do que este passo. Isso, por si só, é uma alteração muito grande nos padrões da dança de salão e, talvez por isso, eles não considerem lá, nos Estados Unidos, uma dança de salão, mas apenas uma dança social. Aqui no Brasil, não temos determinação definida ainda.

Exemplo de um piso nas condições ideais para dançar WCS

O ensino do WCS

Este fica para o próximo post… :)

Um pouco sobre o West Coast Swing

by Kenio Nogueira
Publicado em: 01/04/2012
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Olá queridos leitores, dançarinos, amantes da dança… :)

Após um pequenos “pralaya” (1) estamos aqui novamente. Escrevendo e pensando, meditando e conversando sobre a dança. Pra quê? Temos a nítida experiência prática de que, quando assim fazemos aumentamos a velocidade com que a dança flui e se aperfeiçoa em nosso corpo. Afinal, não dizem os estudiosos que a mente rege todo o corpo? Assim sendo, concentrando a mente na dança… o corpo só tende a executar melhor a dança. Isso abrevia certos tempos, num momento em que precisamos de mais e mais tempo e nos ocupamos com tantas coisas que nos tiram o tempo, sagrado e relativo.

Mas vamos ao West Coast Swing, tema de hoje.

Neste ano estamos abrindo nossas primeiras turmas de WCS, sem pressa, sem alarde, sem preocupações… mas com muito cuidado e consciência, já que esta dança tem suas peculiaridades… e que devem ser respeitadas. Queremos que respeitem nosso país, nossa cultura, nosso povo e nossas riquezas, materiais e abstratas… pois bem, que também sirvamos de exemplo e respeitemos aquilo que é dos outros. E, WCS é cultura norte-americana; melhor dizendo: estadunidense.

O que é?

É uma dança à dois. Considerada como uma dança social na cultura norte-americana e não uma dança de salão. Porque para eles, dança de salão tem outra definição (mais para dança de competição à dois). Ele é dançado em suas bases em 6 e em 8 tempos, dependendo do movimento que se executa. É muito comum o excesso de improvisos, que eles denominam de “footworks”, giros (“turns”) e base linear para os movimentos da dama. Isso quer dizer que enquanto os cavalheiros se descolam mais livremente, dão condições para as damas improvisarem muito mais, enfatizando a própria dança nelas mesmas, mas dentro de uma regra básica que é: manter o deslocamento numa linha e em movimentos de vai-e-volta. E claro, o West Coast Swing ou apenas West, teve sua raíz no Lindy hop.

Diferenças entre Lindy e West

Para falar das diferenças básicas em Lindy e West, para nós, brasileiros, vou falar de soltinho. A nossa dança até então praticada no Brasil, e que foi adaptada do lindy hop norte-americano foi o soltinho. Uma maneira de “copiar” da forma que os brasileiros conseguiram e entenderem na época, a dança norte-americana. É isso mesmo, pra quem não sabia, o soltinho é uma “cópia mal feita” do Lindy hop. Mal feita porque na época não se tinha tanto acesso ao conhecimento que se tem hoje, então também não se estudava a dança como se faz hoje e menos ainda o acesso a vídeos e práticas ou aulas com a facilidade que se tem hoje. Não é ou não foi por mal, mas sim por simples dificuldade em neutralizar a ignorância na época. Hoje temos youtube, passagens de avião parceladas em 12 vezes, fotos, vídeos, etc… o que torna muito fácil o estudo. Agora pense em 60 ou 70 anos atrás… década de 1930 / 1940… nada disso era possível.

Bem, após essas explicações básicas, mesmo quem não sabe ou nunca viu o Lindy hop, pode fazer um paralelo pensando em soltinho, porque tem a mesma marcação, compasso, mesmo aspecto (parecido) de dança… só que muito mais suave.

PropriedadeLindy hop / Soltinho (Brasil)West Coast Swing
Tempo (bpm)32-40 (triplo), >40 (simples)28-32
Uso do espaçolocalizado, circularlinha
Começa notriplo (usual), passo atrás ou rock step (caso do Jive), no soltinho usamos o rock step (passo atrás)dois passos em caminhada
Estiloexcitante e divertidocasual e sexy
Síncopaspoucasem qualquer passo, são altamente incentivadas a serem executadas, principalmente pelas damas

Improvisos e síncopas

Veja que, com esta configuração básica na dança, de executá-la em 6 e 8 tempos de marcação, podemos ter o seguinte:

marcando em 6 tempos: 1 2 3&4 5&6

marcando em 8 tempos: 1 2 3&4 5 6 7&8

O que já nos remete ao improviso, imediatamente. Por isso a dança pede muito improviso. Essa versatilidade nos passos é a base do improviso, porque não há nada que seja sempre igual, a não ser a possibilidade de não ser sempre igual. (brincadeira…)

Propositadamente eu coloquei os dois últimos contra-tempos em negrito para falar da âncora. O último contra-tempo, via de regra, serve para a dama marcar a âncora, ou seja, prepara a saída do próximo movimento, através de um “adensamento” no chão. Ela – como uma âncora – toma uma espécie de âncora e “finca” sua base no chão, dando a impressão ao cavalheiro de que ele tem que fazer mais força para tirá-la do lugar. Ela fica, propositadamente, mais pesada. Esse é o maior “barato” da dança, a sensação de sentir essa espécie de movimento elástico.

Mas, sobre o movimento elástico e outros assuntos relacionados eu vou deixar para o próximo post.

Tem mais West por aí… obrigado e até mais… :)

(1) Palavra utilizada pelos orientais para designar um período pelo qual o Universo passa em inatividade total, sem manifestação de nenhuma consciência ou evolução de veículos de manifestação; até o próximo período de manifestação (Manwântarâ).

É o Samba Rock meu irmão?

by Mychelle Dantas
Publicado em: 01/04/2012
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É o Samba Rock meu irmão?

(Apenas uma introdução)
Você conhece a história do samba rock ou apenas “torce” o nariz, pois não aceita que se dance girando em músicas que acredita que foram feitas para cruzados, ganchos e puladinhos?
Um velho hábito humano é julgar sem ter conhecimento de causa. E é o que acontece com o samba rock por grande parte dos não paulistas. O que fazer então quem tem opinião diferente? Pesquisar e dividir informação.
Começamos pelo nome. A palavra samba rock foi divulgada para grande massa através da música “Chiclete com Banana” gravada por Gilberto Gil em 1972 no Lp “Expresso 222” que marcava sua volta do exílio, apesar de já ter sido gravada com grande sucesso em 1959 por Jackson do Pandeiro. Nos versos de “Chiclete com Banana” composição de Gordurinha e Almira Castilho, se faz uma crítica e um desafio, “Eu só boto bebop no meu samba quando o Tio Sam tocar num tamborim”, fala-se sobre as misturas que a influência estadunidense nos trouxe e as mudanças que podem ocasionar. Culmina sugerindo um termo que resume seu enredo “é o samba rock meu irmão.” Não se tem documentado, infelizmente, o ano exato, quem ou em que região de São Paulo se começou a adotar este termo para designar a dança bailada pelos negros das periferias. Com a chegada do rock americano, sem qualquer planejamento, as pessoas começaram a misturar os passos do samba da época ao do rockabilly. Nos bairros, como chamavam e ainda chamam as regiões mais distantes do centro, as famílias em suas festas, batizados, casamentos, dançavam esta nova dança e repassavam de uma maneira instintiva e hereditária. Sempre havia um quintal com um toldo e um vinil tocando aos finais de semana, gente alegre, e porta aberta a quem mais quisesse chegar e entrar no mesmo clima. Conta-se que quem viveu esta época com certeza treinara a base da dança com as portas de casa ou dos armários e os giros “trançados” com toalhas ou argolas das cortinas.
Com as mudanças políticas e sociais o samba rock chegou aos salões de bailes fora das periferias.
Depois que foi introduzido nas grandes academias de dança de salão de São Paulo, o samba rock começou a ser visto com outros olhos pela sociedade, com professores utilizando métodos de ensino a dança chegou à outra parte da população; inclusive sendo descoberta pelos donos de Casas Noturnas, que passaram a dedicar noites ao ritmo com show e aulas.
O samba rock é vivo e também se modificou ao longo dos anos, porém os “antigos” e os mais modernos convivem em harmonia, independente se concordam ou não um com o estilo do outro. Com a possibilidade de se dançar não somente em sambas, mas em jazz, rock, soul, nas músicas das big bands e em outros ritmos musicais em que os dançarinos sentem o desejo de dançar o samba rock, ficaria impossível que a dança não se adaptasse e mudasse com o tempo e as maneiras de praticá-la.
O movimento é pulsante e não se restringe a dança, mas a divulgação, fortalecimento e renovação da identidade negra no estado de São Paulo.

Abra seu coração, os olhos, os ouvidos, coloque um sapato confortável e dê um chance ao samba rock; O máximo que pode acontecer é você se apaixonar!

 

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