Resultados da pesquisa Categoria: Pesquisas

Novas metodologias no ensino da dança de salão

by Mychelle Dantas
Publicado em: 01/04/2012
Comentários: Nenhum Comentário
*Este artigo foi realizado na conclusão do Curso de Extensão em Dança de Salão.


Ampliando as ações metodológicas: Uma tomada de posição

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão”. Paulo Freire

A partir da visão de Freire (1996), de que ensinar não consiste em somente transferir conhecimentos para o aluno e sim criar possibilidades de ação para que a pessoa envolvida no ato de aprender produza conhecimentos, seguirão algumas considerações.

Desta forma, precisamos começar a pensar na necessidade de desmitificar o ensino da dança de salão, na figura centrada do professor como o detentor dos conhecimentos da dança a dois.
O ato de o professor estar sempre comandando a aula, na determinação dos passos, formas de executá-los, tempo para executá-los, as possíveis combinações dos passos e suas variações (dentre outras situações), criará sempre dependência nos alunos, favorecendo sujeitos passivos e por conseqüência, de fácil dominação. Na ansiedade de cumprir os seus objetivos, o professor (em uma forma tradicional de ensino, por acreditar que os objetivos devam ser estruturados a partir de suas compreensões) anula as possibilidades dos alunos de codecisões e de forma inconsciente (ou não) espera obter dançarinos criativos. Uma contradição.

Pacheco (2000) propõe uma nova abordagem metodológica de ensino que não isole o indivíduo (dançarino) da sociedade, do momento histórico e cultural que ele vive. E principalmente consiga atender os mais diversificados interesses pessoais e expectativas deste aluno que são influenciados pela sua realidade.

Não podemos, portanto, (Mesquita, 2003) ignorar que o corpo deste aluno acumula conhecimentos históricos e sociais. Sendo assim, como limitá-lo a simples execução de movimentos pré-estabelecidos pelo professor que, supervalorizando passos, não abre possibilidades do aluno multiplicar suas inteligências?

Se objetivarmos um cidadão que toma iniciativa, elenca opções, as testa e divide conclusões, temos que ter essa idéia em nossa sala de aula, pois elas dirigirão (certamente) nossas propostas metodológicas.

Hildebrandt (1990), dentre outros autores, sugere a postura supracitada – concepções mais abertas de ensino e a caracteriza:

* Esta concepção de ensino está fundamentada em mecanismos interacionistas de aprendizagem (construtivismo), onde os processos sócio-comunicativos são priorizados.
* Está baseada também nas concepções pedagógicas críticas de ensino.
* Esta concepção de ensino pressupõe compartilhamento de poder entre o professor e os alunos.
* Esta concepção exige um diagnóstico etnográfico que identifica os interesses, as expectativas, as experiências anteriores dos alunos e as características sócio-culturais.
* Induz a seqüência: interesse ? espaço de manifestação ? valorização ? significado ? responsabilização.
* Privilegia as características sociais e cognitivas dos alunos, no sentido de levá-los a refletirem sobre suas ações nas diferentes situações de ensino.
* Supera o modelo que reduz a aula de dança aos mecanismos motores possibilitando o desenvolvimento de sua capacidade crítica e autônoma. Possui diferentes graus de possibilidades de co-decisões dos alunos.
* O professor está aberto para negociação e para situações alternativas de ensino.
* O professor é visto como um conselheiro, mediador, interventor e o aluno encontra-se no centro do processo ensino-aprendizagem.
* As decisões relativas aos objetivos, aos conteúdos e às formas de transmissão do conhecimento são negociadas e determinadas subjetivamente.

É óbvio que esta idéia de concepção aberta causa, inicialmente, em nós professores de dança de salão muitos receios, principalmente porque em diversos setores de nossos aprendizados na linha do tempo, fomos ensinados a aceitar e nos acostumar a receber as informações da maneira mais esmiuçada possível. E com a ação do poder verticalizado de nossos professores ficávamos sem chances para questionarmos o que aprendíamos, porque aprendíamos e como interagir com ele para novos aprendizados. Com estas limitações do ensino tradicional tatuamos em nossos corpos formas solidificadas de obediência (dependência) para aprender e por conseqüência, ensinar.

Para os autores, Taffarel (1985), Soares (1993), Freire (1996), Brach (1991) dentre outros, o ato de criar incitará sempre tomadas de decisão, interações, investigações, dúvidas, confirmações, pesquisas, aceitações, negações dentre tantos demais alcances; e objetiva levar o aluno a situar-se no processo ensino-aprendizagem como sujeito do que faz.

Seguindo a autonomia como ponto de partida para essa mudança metodológica nas aulas de dança de salão, afirmamos que o professor não poderá assumir a neutralidade e se abster de interferir na vida dos seus alunos. Esta tomada de posição exigirá de todos nós uma análise crítica de nossas ações metodológicas para redefinirmos novas propostas de ensino para a dança de salão.

Bibliografia

BRACH, Walter – A busca de legitimação pedagógica – Maringá – mimeografado – 1991;
FREIRE, Paulo – Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa – São Paulo – Paz e Terra -1996;
HILDEBRANT, R. – Concepções abertas no ensino da educação física – Rio de Janeiro – Ativo técnica – 1986;
MESQUITA, Rachel – Atividade Corporal na Escola – VII Congresso de educação de Presidente Prudente – 2003;
PACHECO, Guilherme – Mimeografado – UGF – 1996
SOARES, Carmem Lúcia et al – Metodologia do ensino da educação física – São Paulo – Cortez – 1993;
TAFFAREL, Celi Nelza Zülke – Criatividade nas aulas de educação física – Rio de Janeiro – Ao livro técnico – 1985;


É o Samba Rock meu irmão?

by Mychelle Dantas
Publicado em: 01/04/2012
Tags:
Comentários: Nenhum Comentário

É o Samba Rock meu irmão?

(Apenas uma introdução)
Você conhece a história do samba rock ou apenas “torce” o nariz, pois não aceita que se dance girando em músicas que acredita que foram feitas para cruzados, ganchos e puladinhos?
Um velho hábito humano é julgar sem ter conhecimento de causa. E é o que acontece com o samba rock por grande parte dos não paulistas. O que fazer então quem tem opinião diferente? Pesquisar e dividir informação.
Começamos pelo nome. A palavra samba rock foi divulgada para grande massa através da música “Chiclete com Banana” gravada por Gilberto Gil em 1972 no Lp “Expresso 222” que marcava sua volta do exílio, apesar de já ter sido gravada com grande sucesso em 1959 por Jackson do Pandeiro. Nos versos de “Chiclete com Banana” composição de Gordurinha e Almira Castilho, se faz uma crítica e um desafio, “Eu só boto bebop no meu samba quando o Tio Sam tocar num tamborim”, fala-se sobre as misturas que a influência estadunidense nos trouxe e as mudanças que podem ocasionar. Culmina sugerindo um termo que resume seu enredo “é o samba rock meu irmão.” Não se tem documentado, infelizmente, o ano exato, quem ou em que região de São Paulo se começou a adotar este termo para designar a dança bailada pelos negros das periferias. Com a chegada do rock americano, sem qualquer planejamento, as pessoas começaram a misturar os passos do samba da época ao do rockabilly. Nos bairros, como chamavam e ainda chamam as regiões mais distantes do centro, as famílias em suas festas, batizados, casamentos, dançavam esta nova dança e repassavam de uma maneira instintiva e hereditária. Sempre havia um quintal com um toldo e um vinil tocando aos finais de semana, gente alegre, e porta aberta a quem mais quisesse chegar e entrar no mesmo clima. Conta-se que quem viveu esta época com certeza treinara a base da dança com as portas de casa ou dos armários e os giros “trançados” com toalhas ou argolas das cortinas.
Com as mudanças políticas e sociais o samba rock chegou aos salões de bailes fora das periferias.
Depois que foi introduzido nas grandes academias de dança de salão de São Paulo, o samba rock começou a ser visto com outros olhos pela sociedade, com professores utilizando métodos de ensino a dança chegou à outra parte da população; inclusive sendo descoberta pelos donos de Casas Noturnas, que passaram a dedicar noites ao ritmo com show e aulas.
O samba rock é vivo e também se modificou ao longo dos anos, porém os “antigos” e os mais modernos convivem em harmonia, independente se concordam ou não um com o estilo do outro. Com a possibilidade de se dançar não somente em sambas, mas em jazz, rock, soul, nas músicas das big bands e em outros ritmos musicais em que os dançarinos sentem o desejo de dançar o samba rock, ficaria impossível que a dança não se adaptasse e mudasse com o tempo e as maneiras de praticá-la.
O movimento é pulsante e não se restringe a dança, mas a divulgação, fortalecimento e renovação da identidade negra no estado de São Paulo.

Abra seu coração, os olhos, os ouvidos, coloque um sapato confortável e dê um chance ao samba rock; O máximo que pode acontecer é você se apaixonar!

 

Levante-se e dance!

by Kenio Nogueira
Publicado em: 21/08/2011
Comentários: Nenhum Comentário

Artigo de Fabíola Amaral Honori, Pedro Henrique Berbert de Carvalho. Dança de Salão, AVC e Imagem corporal.

compilado por Kenio Nogueira

Desde o início de sua evolução o homem se comunica, se expressa, se satisfaz, se encanta, se educa, etc, através do movimento e da dança. Antes mesmo de falar ele já dançava. Dentre os vários tipos de dança, a dança de salão é uma atividade,  cuja  complexidade,  pode  se  adaptar às habilidades individuais, é acessível a qualquer sexo e faixa etária, podendo proporcionar situações de experiência máxima.

As principais características da dança de salão podem ser assim resumidas:

- É  uma atividade onde se dança aos pares estabelecendo algum contato entre si, desde a posição fechada até a posição aberta. Na posição fechada o cavalheiro envolve a dama colocando sua mão direita nas costas dela e suporta a mão direita da dama em sua mão esquerda, fazendo com que o casal se coloque frente a frente com pouco ou sem espaço livre entre eles. Na posição aberta o distanciamento do casal é maior e o ponto de contato é uma das mãos do cavalheiro segurando uma das mãos da dama. Independente da posição do casal – fechada, aberta, ou intermediaria – um dança para o outro e com o outro.

- Na dança de salão são utilizadas estruturas de passos variados que desenham o espaço. O casal aborda o espaço de forma variada, harmoniosa, construindo desenhos que dinamizam a visualização da dança.

- Os passos nada mais são que variações do andar associados a giros. O andar rítmico, a postura correta, o ato de carregar o peso do corpo com leveza e os desenhos descritos no espaço, fazem desse andar um descolamento suave e elegante, estético e garboso, altivo e invejável.

- Na dança de salão fala-se em harmonia entre parceiros e entre o movimento e música. A harmonia do casal se no espaço, equilíbrio e expressão. A harmonia entre o movimento e a música se expressa na velocidade comum aos passos e às notas musicais, entre os acentos do movimento e da música, por exemplo, nos “retardando” da música acompanhados de uma movimentação mais contida que desacelera ou nos “pianos” e “fortíssimos” da música representados por peso (leve ou forte) na qualidade do movimento.

- O  deslocamento característico da dança de salão se dá no sentido anti-horário no salão. Desta forma, todos os casais têm a possibilidade de se deslocar sem se chocar com outros e sem interromper a trajetória de outros.

- A dança de salão é uma atividade típica de reuniões sociais.

- Ela pode ser dançada com ou sem técnica e com intuito de entretenimento ou de competição.

O  ensino da dança de salão abrange um conteúdo técnico e um conteúdo referente à etiqueta social.  No conteúdo técnico são abordados temas como postura, condução, percepção rítmica e execução de passos. As etiquetas sociais enfatizadas dizem respeito à atitude individual, de abordagem a uma outra pessoa, e à atitude grupal.

Honori (2007) assegura que o profissional de Dança  de Salão trabalha diretamente com o corpo dos praticantes, interferindo na concepção e na representação que estes têm do próprio corpo. Ressalta-se que a Dança de Salão ensina aos praticantes controlar a ansiedade, conduzir ou, no caso da dama, sentir a condução e também  reconhecer o toque do parceiro, as sensações corporais, o contato.

A Dança de Salão melhora a autoestima, a sociabilização, as relações pessoais, o conhecimento do próprio corpo, a agilidade, a percepção espacial, o lazer, a concentração, a parte motora, o equilíbrio, a parte psicológica e física. Intensifica o respeito entre seres humanos  e o contato com o outro (o toque), diminui o estresse, aproxima os casais, afasta a solidão, a depressão, atenua a timidez e o condicionamento físico. (Reid, 2003)

Fica assim demonstrado, que a dança possibilita o trabalho corporal, que manterá relações com as três dimensões da imagem corporal: fisiológica, social e libidinal. Vemos aí, portanto, a importante relação do movimento humano, da consciência corporal e do autoconhecimento na melhoria dos componentes relacionados com a imagem corporal do indivíduo. Neste caso podemos perceber forte influência da dança na melhoria da autoestima, motivação, relação com os outros indivíduos, da memória e do controle motor.

Schilder (1999) assegura que a construção da imagem corporal se dá fortemente através da relação com o outro, o que constitui a presença e influência do aspecto social sobre a formação da identidade corporal. Segundo Lovo (2006, p. 105) “profissionais que trabalham com o corpo do outro, e que muitas vezes utilizam durante essa intervenção o seu próprio corpo, em uma interação, apresentam quase sempre o conhecimento intuitivo e vivência das questões que envolvem a relação da imagem corporal com as deficiências sensoriais e motoras. No entanto, muitas vezes as referências teóricas poderiam contribuir de maneira significativa para clarear estas questões e possivelmente abrir novas perspectivas de “olhar” para as relações humanas e suas interações”.

 

REFERÊNCIAS

Honori, F. Dança de Salão: instrumento para a qualidade de vida através do conhecimento da autoimagem e da autoestima. Trabalho de conclusão de curso, Faculdade Metodista Granbery, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. 2007.

Lovo, T. M. A. (2006).  Anosognosia: imagem corporal na hemiplegia. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo, Brasil.

Schilder, P. (1999).  A imagem do corpo: as energias construtivas da psique. (3a ed.). São Paulo: Martins Fontes.

Reid, B. (2003). Fundamentos de Dança de Salão. Londrina: Midiograf.

page 1 of 10


Bem-vindo , hoje é sábado 19 de maio de 2012