por Kenio Nogueira
Meus colegas, há vários anos venho me perguntando os reais motivos pelos quais as pessoas dançam. Eis que encontro esse artigo que transcrevo em partes, abaixo, para um melhor entendimento.
Antes de delinearmos respostas simples e mais que objetivas, de “cartas marcadas” ou frases feitas, temos que começar a perceber que nosso mundo é vasto. Este mundo é cheio de possibilidades e estas, derivadas de inúmeras outras.
A dança é uma fuga? Assim como outros vícios? Há quem diga que depois que se pega o “gosto”, não se consegue parar.
Muitos autores defendem uma educação para vida onde deveria haver ênfase tanto às atividades do trabalho quanto às de lazer. O homem é visto como um ser imaginário e não somente intelectual, mas o sistema educacional é voltado para o desenvolvimento do intelecto sem lugar para as emoções. (Volp; Deutsch e Schwartz, 1995) (grifo nosso)
As atitudes compulsivas do tipo “Eu devo”, “Eu tenho”, “Eu deveria” , padrões típicos que são ligados ao trabalho, são glorificados pela cultura como uma grande virtude. Entretanto, o esforço sustentado sob tal compulsão bloqueia todo envolvimento com atividades de lazer e crescimento criativo. Por isso a necessidade de uma educação que vise trabalho e lazer. O homem necessita desenvolver seus potenciais, sua criatividade e dar vazão à sua curiosidade além de cumprir com seus deveres ocupacionais, familiares e civis. (Volp; Deutsch e Schwartz, 1995) (grifo nosso)
De acordo com a opinião dos sujeitos pesquisados, a dança de salão promove satisfação, pode ser considerada uma atividade de lazer e favorece a sociabilização, fatores fundamentais na formação do indivíduo. (Volp; Deutsch e Schwartz, 1995) (grifo nosso)
Fazer parte de um grupo é uma necessidade do homem. É uma forma de identificação e o grupo mais tradicional é a família. Na adolescência, o jovem rompe (ou começa a romper) seus laços com a família para estabelecer outros de identificação sociável. Não é difícil ver, em um espaço de dança, um rapaz ou uma garota isolados do grupo. Nem sempre por timidez, esta distância pode significar que o grupo ainda não aceitou o novo ente. A dança de salão pode funcionar, nesse caso, como porta de entrada, o espaço transacional que leva o indivíduo de um estado de isolamento ao grupo social. Ou seja, se esse indivíduo começa a dançar com alguém, percorre o salão entre os outros. Passa a dançar com outro alguém, ele, aos poucos, fará parte do grupo e o grupo o integrará. De forma análoga isso pode ocorrer para o adulto. Na relação com parceiros de dança o reajuste ao grupo social pode estar fortemente presente. O saber dançar pode ser a forma de aceite pelo grupo. (Volp; Deutsch e Schwartz, 1995)
Pode ser mais um código, de muitos que existem no mundo, e dos quais o ser humano faz uso para se comunicar e se autocompreender no meio social. Afinal, a linguagem do movimento é uma das mais antigas do atual Universo em evolução.
Por que não dançar, então?!
REFERÊNCIA
Volp, C. M., Deutsch, S., Schwartz, G. M. Por que Dançar? Um Estudo Comparativo. Motriz , Vol. 1, pp. 52-58, Jun.1995.


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