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Dicas pra melhorar o baile 4

fonte: Jornal Dance | agosto/2009


É lícito fazer passos de show?

É, desde que o espaço na pista permita, sem atrapalhar o fluxo e sem colocar ninguém por perto em risco. Afinal, as pessoas aprendem e praticam tanto nas academias para que? Para nunca usar? E mais: ouse sempre, improvise, tente criar seus próprios passos. Isso tornará sua dança mais rica e prazerosa, além de inovadora.

Dancem um para o outro

Dança a dois é troca, conexão e emoção. O prazer deriva disso. Quem tenta fazer da parceira, ou parceiro, mera escada para exibicionismo não está dançando. O homem tem que saber esperar e respeitar os tempos musicais da mulher, fazê-la brilhar. E ela precisa também tomar iniciativa, entender as sugestões do cavalheiro e responder de forma ativa e bonita.

Ausência a dois

O pior defeito de qualquer dançarino, ou dançarina, não é desconhecer passos ou conduzir mal. É o descaso com o outro. Por exemplo, dançar virando a cabeça para os lados, dando fé de tudo que está acontecendo ao redor e nas mesas. Alheio ao parceiro. É uma dança totalmente desprovida de emoção. Fujam de quem tem esse péssimo hábito!

Aplaudir, sempre

Gostou da banda? Bata palmas, sempre. Gostou do show? Idem. Isso para os profissionais é extremamente importante, gratificante, estimulante. Mas se não gostar, esqueça. Conduza a dama à mesa Meninos, que coisa feia quando largam a dama sozinha na pista depois da seleção. Pois saibam que é uma das coisas que elas mais reparam e reprovam em vocês.

Marcação

Em baile de academia, por favor, esqueça aquela marcação contadinha que o professor passou em aula. Aquilo é só para efeito didático, você não precisa nem deve dançar assim. Faça tudo a seu modo, inclusive criando adaptações justamente para fugir da marcação padrão e sem graça.

Dançando no salão, vamos (ar)riscar?

by Kenio Nogueira
Publicado em: 23/09/2009
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Kenio Nogueira
(Asgar Centro de Dança)

A dança sempre foi uma paixão para os casais. Independentemente dos relacionamentos, sejam oficiais ou não, esta arte motivou e motiva os mais variados convívios. Desde as danças sagradas no oriente, nas cortes européias da Idade Média, as danças geométricas do Egito antigo, nos palácios gregos, enfim, a dança sempre esteve no centro das manifestações da alma humana em busca do sagrado. Sua prática tornou-se cada vez mais elaborada, havendo um aperfeiçoamento de movimentos ao longo da história.

Sob os aspectos físicos e psíquicos podemos ressaltar os efeitos terapêuticos, inclusive sociais, promovendo mais harmonia e novas amizades entre as pessoas. Médicos e terapeutas já indicam a prática da Dança de Salão para auxiliar no tratamento de casos de depressão, solidão, falta de coordenação motora, vícios de postura, etc. pois ocupa a mente, desenvolve os movimentos e promove consciência corporal. Com isso elimina maus hábitos, eliminando ou diminuindo a timidez, o medo do público e os preconceitos mais antigos que impedem o livre agir do ser humano. É considerada uma atividade física moderada / leve pelos especialistas, sendo também uma manifestação artística da cultura popular de um povo.

A alegria proporcionada ao se dançar no salão, em movimentos harmônicos e ritmados ao som de fundo, acaba por contagiar todos aqueles que assistem os dançarinos. Vários alunos vêm me falar depois de poucas aulas: “Olha professor, ontem a gente foi num baile e as pessoas ficaram olhando a nossa dança. Acabou a música e algumas delas vieram nos cumprimentar e dizer como estávamos dançando bem…!” Esse tipo de acontecimento não é surpresa para quem já aprendeu a dançar, e muita gente já deve ter passado por isso algum dia. É gratificante, pois manifesta o reconhecimento de nosso esforço pelo público. Do esforço recompensador de quem aprende a dar os primeiros passos; sim, porque num salão de baile há os dançarinos na pista e o público nas mesas. Sempre essa dualidade a representar uma espécie de “micro-espetáculo” natural.

Isto é dança de salão! Isso é arte! Isto é o princípio da harmonia entre um homem e uma mulher. Tão difícil de se ver hoje em dia, mas que a dança de salão se propõe a ensinar. Ensina o respeito, o tempo certo de fazer as coisas, além do ritmo e da postura na hora da dança. Como o cavalheiro postar-se em frente à dama, como a dama interagir com ele e como duas pessoas que nunca dançaram na vida podem se entender muito bem no salão. Com algumas aulas o aluno já sente segurança em convidar uma dama para dançar sem medo de errar o passo ou fazer feio no meio do baile. E mais, ele dança de tudo!

Começando pelo BOLERO, um ritmo romântico, para dançar a dois e bem juntinho, com suavidade, firmeza e elegância. Depois passa para o SAMBA DE GAFIEIRA, um ritmo genuinamente brasileiro, que popularizou o samba nas mais diversas regiões do nosso Brasil. Aí ele vai para o FORRÓ, um ritmo muito gostoso de se dançar e que todo mundo sente prazer na música, desde os mais jovens até os mais idosos, que apreciam a voz e a música de nossos sagrados cantores, como Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Fala Mansa e outros. Aí chega a vez de reviver o passado, a época de ouro dos anos 50, 60 e 70, onde o rock tomou forma e corpo na América e no mundo inteiro, em variadas vertentes e matizes que se estendem até hoje. Tudo isso é aprendido na dança de salão além dos ritmos caribenhos, como a SALSA (extremamente explosiva e até mesmo romântica e “política”, tem para todos os gostos), o merengue, o mambo, o cha-cha-cha, o zouk (ou lambada-zouk, como queiram), etc. E não vamos nos esquecer da clássica VALSA, que também tem que ser devidamente conhecida para ser bem dançada, pois apesar de ser aparentemente fácil, tem suas características que lhe dão um grau de dificuldade considerável.

Enfim, a dança de salão é rica. Tão rica quanto as etnias que vivem no solo de nosso grande e cultural país, ainda que espalhadas ao longo da América do Sul, pois que o TANGO genuíno e bem caracterizado, é o argentino. Assim é que, se no tango encontramos muita introspecção, sedução e cumplicidade, podemos praticar alegria, explosão e irreverência, no nosso samba bem brasileiro.

E que vença o equilíbrio perfeito entre a Essência e a Forma!

Arte é a chave da sociedade pós-industrial

by Kenio Nogueira
Publicado em: 08/09/2009
Categorias: Dança
Comentários: Nenhum Comentário
Por Mario Osava *, da IPS
Rio de Janeiro, 04/09/2009 – Um imenso laboratório, fragmentado em organizações dispersas pelo Brasil, a maioria não-governamentais, desenvolve técnicas sociais e novos conceitos que objetivam a construção de uma sociedade de pessoas mais sensíveis e aptas para aprender. Balé e danças populares, música erudita e popular, teatro, circo, capoeira, moda, artes visuais e audiovisuais, as linguagens mais diversas são ferramentas de projetos que nasceram com diferentes propósitos, mas que convergem em aspectos educacionais e sociais, ao se dedicarem preferencialmente à infância pobre deste País de 190 milhões de habitantes.

O ensino vigente, baseado apenas na razão iluminista e estruturada para servir à sociedade industrial, já não atende aos desafios atuais, especialmente as inquietudes dos jovens, afirma a Escola de Dança e Integração Social para a Infância e Adolescência (Edisca). Por isso a sua proposta é uma “Educação Interdimensional”, que combina com equilíbrio as dimensões do pensamento, o sentimento, o desejo e a transcendência, correspondentes aos princípios gregos logos, pathos, eros e mythus. A arte, a dança, neste caso, ocupa um lugar central nesta pedagogia, porque “dialoga com dessas distintas dimensões do ser humano integral”, explica Madeline Fontoura, psicóloga educacional que trabalha na Edisca desde 2001.

Esta organização não-governamental sistematizou em 2004 sua experiência até então de 13 anos no livro Edisca-A arte na construção do humano, no qual identifica “a crise de uma época” e do domínio da razão, qualificada como analítica-instrumental, pois fragmenta o conhecimento e serve de instrumento ao poder e ao progresso. A “Pedagogia do desejo”, do projeto Axé, e a “Pedagogia da Roda”, do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), são formulas nas quais se destacam a estética, a ética e o prazer no aprendizado. “A arte é educação” em si mesma, e muito melhor quando não empregada como simples acessório submetido a fins escolares, concluem.

Criatividade

“A arte desafia as pessoas a buscar distintas respostas para um mesmo problema, estimulando olhares e pensamentos divergentes”, ao contrário do ensino formal, que impõe uma “convergência para a solução unida”, afirma Idelli Nichele, coordenadora do Polo Regional do Projeto Guri em Jundiaí, próximo à São Paulo. Propor soluções alternativas na escola significa equivocar-se e desviar-se da única resposta correta, em um processo que mata a criatividade. 

“O pensamento único não é pensamento” nem reflexão, mas reprodução de idéias, acrescenta a pedagoga e ex-diretora “desencantada” com as escolas convencionais. A música é uma comprovada ferramenta do raciocínio lógico, mas fomenta a busca de variações, uma atividade em que o “jazz é fantástico”, conclui Nichele, que também deu aulas de educação artística na universidade. 

O resultado é a criatividade, cada vez mais importante na economia e na vida das pessoas, mas que o ensino formal tende a travar, pois promove a produção em série de técnicos e profissionais, tal como a indústria baseada na linha de montagem de Ford. Outra virtude da arte é que permite superar o crescente desinteresse que gera o ensino oficial, sobretudo entre os adolescentes.

Uma pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, constatou que o desinteresse motivou em 2006 a evasão escolar de 40,3% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos, com maior incidência nas zonas mais ricas, como São Paulo. Por outro lado, a necessidade de trabalhar, que se supunha ser a causa principal, acabou respondendo por apenas 27,1% das evasões. Isto contrasta com a adesão das crianças e adolescentes aos projetos que a IPS visitou para esta série de reportagens “Arte é a melhor educação”, uma adesão que em muitos casos é mais forte do que a fome, várias horas de ônibus ou longas caminhadas. “Aqui aprendemos mais do que na escola e de forma mais divertida”, foi o testemunho mais repetido.

“O encanto da arte desperta o interesse e aguça os canais sensoriais, facilitando o aprendizado de qualquer coisa”, segundo a psicóloga da Edisca Madeline Fontoura. 

A escola pública, por sua vez, destrói a autoestima e por fim a capacidade de aprender, gerando rejeição, acrescenta. Pitágoras, o menino pobre do coral de ARaçuaí que aos 11 anos não conhecia um piano, mas que se tornou pianista, tinha muita dificuldade com a matemática. Depois que o professor lhe mostrou as relações entre música e matemática “decolei”, afirmou. Educar para a vida, para o respeito aos outros, para aceitar as diferenças, a convivência harmoniosa, a paciência e o conhecimento do próprio potencial são outros efeitos das artes coletivas, como a música e a dança, segundo alunos e professores entrevistados.

Função educativa

Estas iniciativas surgiram, em geral, com objetivos de inclusão ou resgate social, ou de prevenção à violência e à marginalização, embora alguns, com Axé e CPCD, tenham desde seu começo propósitos explícitos de reformar, mediante inovações, o ensino público. Vários fazem parte da Rede Latino-americana de Arte para a Transformação Social e da Rede Avina Arte e Transformação Social, nomes que evidenciam sua orientação. Todos consideram indispensável a escolaridade formal, apesar de suas duras críticas à baixa qualidade do ensino público neste País.

Por essa razão exigem dos participantes que assistam com freqüência ou retomem as aulas, como o Projeto Axé, que acolhe crianças em risco social que abandonaram a educação regular. Estas experiências cumprem a função de complementar as escolas oficiais, oferecendo atividades extracurriculares e, às vezes, reforço nas tarefas escolares. Seus alunos desfrutam, assim, de educação em tempo integral, um sonho há muito perseguido por educadores e gestores escolares, com experiências isoladas e descontinuadas principalmente por razões econômicas.

Política pública

Reconhecer esse papel e incluir as iniciativas relevantes no orçamento e no sistema escolar seria uma forma de convertê-las em políticas publicas, uma ambição que têm várias organizações não-governamentais, com Axé, cujo fim é conseguir que seus métodos sejam assumidos pelo poder público e então extinguir-se. O Ministério da Cultura estabeleceu uma via para apoiar as iniciativas da sociedade civil. Trata-se de um processo seletivo, por meio de licitações, que reconhece às organizações relevantes como Pontos de Cultura e às quais destina pequenas somas durante três anos para potencializar suas atividades e interligá-las em uma rede nacional.

Porém, Axé e Edisca, referencias entre as ONGs que atuam em educação e artes, e muitas outras, enfrentam atualmente grave crise financeira devido à retirada de patrocínios importantes e pela valorização do real frente ao dólar, que desvaloriza as doações estrangeiras. Axé lançou uma campanha de captação de fundos de pessoas e empresas nacionais, incluindo pequenas e medias. “A sociedade tem de reconhecer os benefícios e apoiar a Axé”, diz Serguem Jessui da Silva, encarregado desse esforço financeiro.

O projeto é caro, quase R$ 4,5 milhões por ano, principalmente com gastos em transporte e alimentação oferecidos às crianças e adolescentes de diferentes bairros suburbanos de Salvador (BA), e pela necessidade de manter a qualidade de suas atividades artísticas, segundo Ená Benevides, coordenadora geral da Axé. Dispor de recursos do orçamento educacional público poderia fortalecer as organizações, mas o risco é “perder independência” e, sem garantias de uma contribuição estável, sofrer novas quedas abruptas de recursos, alerta Jessui da Silva, dizendo que “há dois anos não há contribuições estatais” para Axé.

Dora Andrade, fundadora e diretora da Edisca, também considera “perigoso colocar nossa sustentabilidade na dependência do governo”, e prefere buscar novas fontes de renda para superar as dificuldades atuais. As contribuições pessoais e a transmissão remunerada do conhecimento acumulado através do projeto Partilha são alternativas que já estão em marcha. A Edisca também pode profissionalizar seu corpo de baile, que realizou apresentações de sucesso, para conseguir dinheiro, assegurar os salários de seus bailarinos e “uma visibilidade que ajuda a atrair financiadores”, acrescenta a criadora do projeto.

Não se trata de descartar eventuais aportes do governo, mas depender totalmente do Estado seria uma atitude kamikaze, ressalta Dora Andrade. As organizações sociais já conquistaram legitimidade com os benefícios que prestam, agora se trata de conseguirem ser rentáveis para se manterem, acrescenta. No nordeste pernambucano, a fundação da Banda Sinfônica Meninos de São Caetano, um dos projetos musicais de sucesso que chegou a ser retratado em um filme, procura converter-se em escola técnica de capacitação profissional. O governo do Estado de Pernambuco prometeu dar esse passo há três anos, mas o processo está parado. 

No Ministério da Educação já houve avanços no aporte de “saberes da comunidade” e nas atividades educacionais complementares das organizações, segundo Beatriz Azeredo, presidente do Centro de Estudos de Políticas Publicas e ex-diretora da área social do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Não partimos do zero”, mas conferter a ação do terceiro setor, ou sociedade civil, em políticas publicas exige um movimento “de duas mãos”, uma convergência das distintas “lógicas” das organizações sociais e do poder público, que têm “demandas às vezes conflitivas”, afirmou.

As organizações não-governamentais querem recursos para o ensino de música ou dança, em busca da excelência e limitando o número de seus beneficiários a algumas centenas, disse Beatriz. Já as políticas públicas aspiram a universidade, uma escala infinitamente maior, quase sempre em detrimento da qualidade, o que ocorre no caso do estadual Projeto Guri que atende cerca de 40 mil crianças. Contudo, há “um cenário favorável”, o terceiro setor amadureceu muito e está pressionado pela crise econômica, mas será necessário um processo longo de negociações com o Ministério da Educação e os governos estaduais e municipais, prevê a funcionaria do BNDES. O resultado deveria ser “uma nova cultura de condução de políticas publicas” e a definição do “lugar das organizações sociais nessas políticas”, que não pode ser o de simples venda de serviços, concluiu. 

* O projeto que deu origem a este trabalho foi ganhador das Bolsas AVINA de Investigação Jornalística. A Fundação AVINA e a Casa Daros, parceira na categoria Arte e Sociedade, não são responsáveis pelos conceitos, opiniões e outros aspectos de seu conteúdo.
 (Envolverde/IPS)
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