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Professor “tem” que dançar com aluno em baile?

fonte: Jornal Dance
por Milton Saldanha
02/Julho/2007

É preciso entender e fixar os limites e lugares certos para cada tipo de comportamento nas relações entre alunos e professores de dança. Existem muitos equívocos que precisam ser esclarecidos. A dança no baile é prazer. Se virar obrigação profissional começa a complicar e a perder a graça.

É bom mudar de opinião de vez em quando. É isso que nos dá a sensação de sermos seres pensantes e não cabeçudos inveterados. O tema deste editorial é um caso típico em que mudei de opinião. Durante muito tempo achei que os professores de dança de salão deveriam dançar com seus alunos nos bailes. Essa posição atendia ao que chamaria de interesses do nosso meio, a importância de motivar pessoas e até de formar mercado de trabalho. Pois bem, não penso mais assim. De repente, com base na minha experiência de eterno aluno de dança (no momento tango), passei a achar isso não apenas uma grande bobagem, mas também um erro que pode causar mais estragos nas relações do que bons resultados. Esse raciocínio percorre um caminho longo e sinuoso, com muitas variáveis. É um tema vasto, talvez polêmico, rico em vertentes. Vou me ater aqui, até por limitação de espaço, a alguns pontos que considero mais importantes e ficaria muito feliz se o debate fosse enriquecido pela participação dos leitores, tanto para concordar como discordar, de forma ampla ou breve, mas sempre democrática. A coluna Compasso do Leitor existe para isso. A única exigência é que a linguagem seja educada, mesmo num eventual texto contundente. Primeiro ponto: dança em baile é acima de tudo prazer, troca afetiva, combinação de habilidades. Tem quem existir química entre o casal, não no sentido sexual, como habitualmente se fala, mas de aceitação da mesma linguagem corporal. Sim amigos, dançar é como falar um idioma. Formamos frases com nossos corpos e olhos, por vezes provocações, o outro responde. No tango é uma linguagem ainda mais hermética, cheia de códigos, e é por isso que não basta o cavalheiro ser firme na condução. Se a dama não conhecer esses códigos, for pobre no vocabulário, não perceber suas nuances, e estiver desprovida de criatividade para elaborar seus próprios movimentos, a dança não acontecerá. Sendo ele o condutor, acho que nem preciso dizer que vale o mesmo, em dobro, para o homem. Já ouvi e continuo ouvindo de vez em quando algumas queixas de alunas, ou alunos, que não são tirados nos bailes por seus professores/as.

Uma delas, minha amiga, moradora numa capital sulina, chegou a cortar relações e mudou de professor por causa disso. No caso, extremo, teve toda a razão. O sujeito, conhecido por sua arrogância, foi grosseiro. A recusa à dança, quando mal formalizada, fere as pessoas. É um soco na auto-estima. Isso explica a hesitação dos homens quando chegam num ambiente que ainda não conhecem. Certa vez vi um rapaz, coitado, ouvir três negativas consecutivas. E nem era uma pessoa de má aparência. Quase a nocaute, visivelmente chocado, foi embora do baile. Uma lástima. Com todo homem já aconteceu. É mais ou menos como broxar, e o efeito psicológico é quase similar. Certa ocasião, numa milonga em São Paulo, no Campo Belo, uma jovem senhora me recusou a dança alegando que já tinha trocado de sapatos. Alguns minutos depois estava na pista, dançando. A razão: eu era iniciante no tango. Além de mostrar que não é uma pessoa generosa, não lhe passou pela cabeça que depois de algum tempo eu aprenderia. O problema não é que eu lhe faça falta, seria horrenda presunção pensar isso, e sim que, a cada recusa, com esse hábito não recomendável, ela própria vai se condenando ao ostracismo. O incidente de certa forma até me ajudou, porque, indignado e movido por temperamento apreciador de desafios, me apliquei nas aulas. Vejam como é a vida: antes do episódio eu enxergava essa pessoa com simpatia e gostava do seu jeito de dançar. Depois, associei sua imagem com a atitude antipática. Jamais voltarei a dançar com ela, nem em bailes, nem em práticas, nem mesmo em workshops. Se não tiver alternativa, fico fora. Todo homem que tenha vergonha na cara deve fazer o mesmo sempre que levar uma tábua indelicada como essa. Algum dia essas grosseiras e metidas a grandes dançarinas acabam sem nenhum parceiro, e vão merecer.

Só admito e até recomendo a recusa se o homem estiver bêbado, sem asseio, todo suado, com a roupa descomposta, além de ter fama de praticar assédio sexual. Também no caso de sua dança ser grotesca, o que nada tem a ver com ser iniciante. Que vá aprender, pô! Mas essas são questões de comportamento, da vida social, da etiqueta. Seria absurdo entender como ético que professores tenham a obrigação de dançar nos bailes com seus alunos. Nas práticas, da própria academia, que são uma extensão das aulas, aí sim eles têm esse dever. Aula é trabalho e relação comercial. Isso precisa ficar definitivamente claro. Um paga, outro ensina. Ambos lucram. É óbvio que isso tem que envolver simpatia recíproca, no caso de aula particular, senão fica insuportável. Mas baile, fora da escola, é outro campo totalmente diferente. Eu até prefiro que minhas professoras de tango não dancem comigo nos bailes se para elas isso for uma mera concessão profissional e não um prazer com emoção. Sem isso nenhuma dança é gostosa. Elas sabem mais do que eu, então é mais do que natural e aceitável que queiram dançar com quem lhes traga novos desafios, ou mais fluidez, quem sabe até aprendizado. Sobre a emoção na dança vale a pena abrir aqui um parênteses para expressar um conceito profundamente importante. Há tangueiros de shows cheios de técnica e passos complicados, mas que não passam ao público avançado no tema a mínima emoção, porque dançam com frieza. Li recentemente excelente artigo da bailarina argentina Carmen Iglesias, na revista portenha “La Milonga Argentina” (maio), sobre a emoção no tango. Ela trata justamente disso, afirmando com argumentos sólidos que de nada adianta toda a técnica do mundo se não existir o principal, que é a emoção. Suas palavras:  ”Sea en el estilo salón, milonguero, del centro o nuevo, si no hay conexión emocional entre quien marca, y quien se entrega a esa marca, pueden estar haciendo pasos interesantes y espectaculares, pero ciertamente no están bailando tango”.

Como todo mundo, incluindo professores, eu também tenho minhas preferências nos bailes. Aquelas damas com as quais divido o verdadeiro prazer de dançar. Não quero a rainha do baile, nem preciso provar nada a ninguém.

Quero simplesmente aquela dama que mostre prazer em dançar comigo, e me proporcione a mesma alegria. Nada mais, nem menos. E isso a gente descobre no primeiro minuto, no abraço, nas respostas, na cadência dos passos, na caminhada milongueira, na respiração controlada, no ouvir junto a música respeitando as pausas, sem exageros ridículos, na serena elegância, na entrega à condução que leva à sincronia do casal. Dançar bem é isso. E não importa se o dançarino é iniciante, intermediário ou avançado, a base serve para todos. Desse conjunto deriva o prazer. Não é mostrar friamente que sabe duzentos passos, geralmente fora da música, para exibição pública. O aluno tem que respeitar o momento do professor no baile, com a percepção que ali é um espaço de lazer e descontração, não de trabalho e obrigações para nenhuma das partes. Se ele quer curtir com a parceira dele, e só, ou num pequeno grupo, não há nada de errado nisso. É preciso observar ainda que não há tempo num baile para fazer cortesia a todos os alunos. Por que só você teria o privilégio? Existem as situações especiais. Professores que levam os alunos para um baile, por exemplo, para curtirem juntos horas agradáveis, sem o rigor cansativo das aulas, e para colocar em uso o que aprenderam. Mesmo essa turma deve tomar chá de semancol e não achar que o professor tenha a obrigação de dançar com eles em todos os bailes futuros. Existem também as horas em que o professor quer distância dos alunos, não por falta de carinho, mas para descansar e ter seu próprio momento no baile. Isso não é um escândalo, não pode ser mal interpretado. É o precioso momento do respeito ao lazer do mestre. Sacanagem é não perceber e violar seu direito à privacidade, ainda que o baile seja um local público. Lástima, mesmo, será dançar simulando prazer, para não perder o cliente. Cena comum entre determinados “personal dancers”. Não todos, claro. Alguns sequer se dão ao trabalho de disfarçar o tédio. Existe uma enorme diferença entre curtir o baile e cumprir a tabela. O detalhe é que a dança não perdoa.

Basta ver a energia que emana do corpo e o olhar. Se ambos estiverem opacos, sem brilho, enquanto o aprendiz tolo se ilude achando que está abafando, no íntimo o mestre estará torcendo para a música acabar logo. Vale a pena?


Dançando no salão, vamos (ar)riscar?

by Kenio Nogueira
Publicado em: 23/09/2009
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Kenio Nogueira
(Asgar Centro de Dança)

A dança sempre foi uma paixão para os casais. Independentemente dos relacionamentos, sejam oficiais ou não, esta arte motivou e motiva os mais variados convívios. Desde as danças sagradas no oriente, nas cortes européias da Idade Média, as danças geométricas do Egito antigo, nos palácios gregos, enfim, a dança sempre esteve no centro das manifestações da alma humana em busca do sagrado. Sua prática tornou-se cada vez mais elaborada, havendo um aperfeiçoamento de movimentos ao longo da história.

Sob os aspectos físicos e psíquicos podemos ressaltar os efeitos terapêuticos, inclusive sociais, promovendo mais harmonia e novas amizades entre as pessoas. Médicos e terapeutas já indicam a prática da Dança de Salão para auxiliar no tratamento de casos de depressão, solidão, falta de coordenação motora, vícios de postura, etc. pois ocupa a mente, desenvolve os movimentos e promove consciência corporal. Com isso elimina maus hábitos, eliminando ou diminuindo a timidez, o medo do público e os preconceitos mais antigos que impedem o livre agir do ser humano. É considerada uma atividade física moderada / leve pelos especialistas, sendo também uma manifestação artística da cultura popular de um povo.

A alegria proporcionada ao se dançar no salão, em movimentos harmônicos e ritmados ao som de fundo, acaba por contagiar todos aqueles que assistem os dançarinos. Vários alunos vêm me falar depois de poucas aulas: “Olha professor, ontem a gente foi num baile e as pessoas ficaram olhando a nossa dança. Acabou a música e algumas delas vieram nos cumprimentar e dizer como estávamos dançando bem…!” Esse tipo de acontecimento não é surpresa para quem já aprendeu a dançar, e muita gente já deve ter passado por isso algum dia. É gratificante, pois manifesta o reconhecimento de nosso esforço pelo público. Do esforço recompensador de quem aprende a dar os primeiros passos; sim, porque num salão de baile há os dançarinos na pista e o público nas mesas. Sempre essa dualidade a representar uma espécie de “micro-espetáculo” natural.

Isto é dança de salão! Isso é arte! Isto é o princípio da harmonia entre um homem e uma mulher. Tão difícil de se ver hoje em dia, mas que a dança de salão se propõe a ensinar. Ensina o respeito, o tempo certo de fazer as coisas, além do ritmo e da postura na hora da dança. Como o cavalheiro postar-se em frente à dama, como a dama interagir com ele e como duas pessoas que nunca dançaram na vida podem se entender muito bem no salão. Com algumas aulas o aluno já sente segurança em convidar uma dama para dançar sem medo de errar o passo ou fazer feio no meio do baile. E mais, ele dança de tudo!

Começando pelo BOLERO, um ritmo romântico, para dançar a dois e bem juntinho, com suavidade, firmeza e elegância. Depois passa para o SAMBA DE GAFIEIRA, um ritmo genuinamente brasileiro, que popularizou o samba nas mais diversas regiões do nosso Brasil. Aí ele vai para o FORRÓ, um ritmo muito gostoso de se dançar e que todo mundo sente prazer na música, desde os mais jovens até os mais idosos, que apreciam a voz e a música de nossos sagrados cantores, como Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Fala Mansa e outros. Aí chega a vez de reviver o passado, a época de ouro dos anos 50, 60 e 70, onde o rock tomou forma e corpo na América e no mundo inteiro, em variadas vertentes e matizes que se estendem até hoje. Tudo isso é aprendido na dança de salão além dos ritmos caribenhos, como a SALSA (extremamente explosiva e até mesmo romântica e “política”, tem para todos os gostos), o merengue, o mambo, o cha-cha-cha, o zouk (ou lambada-zouk, como queiram), etc. E não vamos nos esquecer da clássica VALSA, que também tem que ser devidamente conhecida para ser bem dançada, pois apesar de ser aparentemente fácil, tem suas características que lhe dão um grau de dificuldade considerável.

Enfim, a dança de salão é rica. Tão rica quanto as etnias que vivem no solo de nosso grande e cultural país, ainda que espalhadas ao longo da América do Sul, pois que o TANGO genuíno e bem caracterizado, é o argentino. Assim é que, se no tango encontramos muita introspecção, sedução e cumplicidade, podemos praticar alegria, explosão e irreverência, no nosso samba bem brasileiro.

E que vença o equilíbrio perfeito entre a Essência e a Forma!

Mulheres no Salão (que não é de beleza… mas de dança)

by Kenio Nogueira
Publicado em: 21/09/2009
Categorias: Dança
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por Jucimara Sequinel
(Asgar Centro de Dança)
Ouvindo depoimentos de algumas damas praticantes da dança de salão, alunas, professoras, amiga da amiga… enfim, todas que se dispuseram a dar alguma informação a respeito do que vem e sentem; sintetizamos a seguir um resumo geral do que nos foi passado, direta ou indiretamente.
A pergunta inicial foi: “Por que as mulheres vão para o salão?” Em décadas passadas, de acordo com as conversas com tias, mães e avós, as mulheres iam dançar nos bailes para “escolher” aquele que seria seu futuro parceiro. Não apenas na dança, mas também na vida. Observavam como se vestiam e andavam, como dançavam ou agiam com as senhoritas desde o convite para bailar, durante a dança e até seu fim. O cavalheirismo e o romantismo eram atributos mais que necessários para se tornar um pretenso candidato, pois estavam diretamente relacionados ao caráter e à cultura do rapaz. Como isso elas tinham uma idéia clara de como seria a vida futura, como essas virtudes, presentes ou não, interfeririam na criação e educação dos filhos, na vida cotidiana, etc.
O que mudou com o tempo? O que se perdeu? O cavalheirismo ou o caráter? Não queremos dizer com isso que os cavalheiros precisam passar por um processo de seleção (apesar de que já o era) para se casarem, mas que características básicas que as damas buscam em seus pares existissem para um relacionamento baseado no amor e na amizade sólida que se pretendia construir. Lógico, que os grandes bailes propiciavam esses encontros e nos dias atuais não mais os temos. O mundo se “modernizou” e globalizou, vide a Internet. Tudo se perdeu? Os encontros são casuais, apenas passageiros ou por e-mail mesmo. E o romantismo? Aquele gostinho de conquistar? Ou tentar? Onde ficaram? Não existem tantos bailes como aqueles e, principalmente, presenciamos menos ofertas de lugares para se dançar a dois ou praticar a dança de salão. O que costumamos ver por aí é uma série de cavalheiros rodeando o salão, apenas olhando. O que será que pensam? Vou? Não vou? Arrisco-me em alguns passos? E se eu não souber? O que ela vai pensar? Ih, os outros vão rir de mim! Vou ser a gozação de meus amigos.
Será que eles estão apenas questionando sua habilidade de dançar mesmo? Ou afins de qualquer coisa, “exceto dançar”? E assim, novamente as “mulheres no salão” saem frustradas, chateadas por não encontrarem alguém que simplesmente bailassem com elas, porque na verdade era só isso que elas queriam ou querem hoje em dia. Se divertir sim, mas com glamour, com classe e, sobretudo com muita educação e sem preocupação, sentir que a vida não passou e sim que está apenas começando novamente, com uma nova perspectiva para ambos, a juventude plena e eterna agindo através de um ânimo alegre e descontraído.
Por outro lado, será que nossa ousadia e uma maior presença no mundo moderno não assustam muitos homens? Inseguros, muitas vezes permanecem estáticos, só observando. Não vamos massacrar os homens. Muitas vezes eles perderam o cavalheirismo por “falhas” da própria mulher que, com a conquista de sua independência, provoca essa atitude! O que acontece geralmente é que o resgate do cavalheirismo começa quando um homem passa a freqüentar aulas de dança. Aí ele percebe seu verdadeiro sentido. Dançar por prazer, respeitando a dama e não para tirar uma “casquinha” da mulher. É certo que este tipo de cavalheiro não fica no salão com um copo na mão servindo de “parceira”. Ele aproveitará cada momento para colocar em prática o que aprendeu no salão e na vida!
É difícil para os homens? Sim, sempre. Mas também é para as mulheres! Que digam as casadas, ou que já tem seu namorado ou parceiro fixo. Costumamos achar que dançamos melhor que eles, até entrarmos para um curso de dança de salão quando, no decorrer das aulas, percebemos que não sabemos nada. Tanto quanto eles. Percebemos que, além de querer dançar, você tem que aprender a se deixar conduzir, o que não é nada fácil nos dias de hoje, onde a mulher está abarcando mais responsabilidades para si, direta ou indiretamente. São: sua casa, seus filhos, família, carreira, conflitos, seu dia-a-dia… Porém, descobrimos que se deixar conduzir exige uma cumplicidade, uma troca, um despertar de sensibilidade de ambos, para que as experiências ali aprendidas comecem a lapidar as arestas e então encontrar o encaixe e a união harmoniosa. O famoso “sincronismo”! É isso que você aprende numa aula de dança. Não são só passos e técnicas. Você aprende a ser mais sensível, mais paciente, mais receptiva, ao mesmo tempo em que mais doadora, você aprende a improvisar. Você aprende que o erro existe, mas que o mais importante é identificá-lo o mais rápido possível, e então corrigi-lo, sem se preocupar com quem errou, senão você perde o objetivo principal que é DANÇAR!!! Tem momentos em que você tem a necessidade de conter as emoções, saber considerar e dar nova chance… Aprendemos que assim é a vida também. Você tem que estar em sintonia com seu parceiro, seu trabalho, seus filhos. Você tem que aperfeiçoar esta sensibilidade para que ambos caminhem juntos, dancem a mesma música, pois se assim não for, um sempre vai levar ou dar um “pisão” no pé do outro… É um exercício constante. “Para dançar, basta você querer aprender a dançar!!!”
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