fonte: Ritmo e Movimento – Teoria e Prática;
Inês Artaxo, Gisele de Assis Monteiro;
4ª ed.; São Paulo, 2008
Trabalhamos com a dança.
Usamos a música para dançar.
A música é nosso referencial externo, onde procuramos pautar nossos passos de forma ritmada. Ritmo e métrica são qualidades musicais fundamentais para se iniciar uma dança.
Na dança de salão esses dois conceitos constantemente se confundem, principalmente através do ponto de vista de quem é leigo. Aqui, procuraremos, em poucas palavras, definir o que realmente é ritmo e métrica.
Será que existe realmente gente “dura”? Será que podemos dizer realmente que alguém “não tem ritmo”?
Ritmo e métrica musical
Imaginemos que o andar espontâneo e fluente de certa pessoa seja interrompido por determinada voz de comando, tentando ordenar o ritmo natural do indivíduo. Como consequência, o ritmo peculiar do indivíduo passará a ser uma atividade MÉTRICA. Os movimentos métricos são dirigidos e organizados, por comando externos, de forma “mecânica”.
A métrica é a divisão quantitativa do ritmo. Como exemplos de métrica temos: o pêndulo de um relógio e o farol. De ritmo temos: o dia e a noite e as ondas do mar.
O ritmo é a vibração e a métrica, a medida. O ritmo define o movimento natural, a métrica mede o espaço entre os movimentos, ordenando-os.
No movimento rítmico, o que satisfaz a natureza do organismo humano está presente na fluência; por outro lado, no movimento isolado, comandado, está presente na contagem métrica que o distingue.
O ritmo é peculiar a cada indivíduo e está de acordo com a percepção pessoal, com a métrica, sendo essa uma ordem a ser seguida. O ritmo é livre e afirma-se na personalidade individual; a métrica é a disciplina e afirma-se na interpretação coletiva. O ritmo deriva-se da intuição e da criação; a métrica, da reflexão.
Ritmo
O ritmo é considerado a vibração da vida. A música é uma composição que depende do tempo; portanto, do ritmo. O ritmo pode existir sem melodia, como nos tambores de música primitiva, mas a melodia não pode existir sem ele. Afeta todas as condições físicas do organismo, podendo ser usado para restaurar a pulsação normal do organismo. Alguns ritmos externos provocam dissonância com o interior, o que pode ser tanto benéfico quanto prejudicial.
Alguns ritmos irregulares podem criar sérios problemas de saúde em decorrência do excesso de estímulo da pulsação interna. Essa sobrecarga força o nível de batimentos cardíacos, interferindo na pulsação normal do corpo. Esse ritmo chama-se anapéstico. Foi usado pelos Rolling Stones em algumas de suas primeiras músicas nos anos 60, e ainda é usado por algumas bandas modernas de rock, punk e heavy metal. Nos anos 60 foram feitos estudos sobre a relação da música com pessoas que sofriam de problemas respiratórios e arritmias cardíacas.
A batida cardíaca normal segue o modelo “Tum-tum, Tum-tum, Tum-tum”. O ritmo anapéstico força o coração a bater assim “tum-tum-Tum, tum-tum-Tum”. Essa batida é contrária à batida cardíaca normal, o que pode afetar as funções orgânicas internas. O exemplo acima é apenas um dos muitos que são contrários ao ritmo natural do corpo. Se ficarmos determinado período de tempo em contato com um ritmo muito forte, expomos o corpo à excitação e à hiperatividade, pois entramos em ressonância com ele.
Uma cadência natural, firme e pausada, restaura o equilíbrio físico. Pessoas com problemas no coração, por exemplo, beneficiam-se com a música barroca, que tem poder curativo sobre os batimentos cardíacos (Andrews, 1996).
Os sábios ensinavam que: “o ritmo tinha poder para provocar mudanças no organismo físico, a melodia, nos estados mental e emocional, e a harmonia de melhorar o entendimento humano sobre as questões espirituais”
Cânticos, orações, histórias, músicas, mantrans e a palavra precisam de ritmo, de melodia e de harmonia para que haja perfeita união de corpo, mente e espírito (Andrews, 1996).